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Carol Solberg diz que não iria ao STJD se tivesse gritado "Bolsonaro, Mito"

A jogadora de vôlei de praia foi advertida pelo STJD há quase um mês por ter protestado após conquistar medalha de bronze

08/11/2020 12:40, atualizado 08/11/2020 12:42
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Getty Images
Carol Solberg

Quase um mês após ser advertida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por gritar “Fora, Bolsonaro”, a jogadora de vôlei de praia, Carol Solberg, decidiu falar. Em entrevista ao jornal O Globo, ela crê que jamais teria sido julgada caso o grito fosse de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Fiquei surpresa (com a repercussão). Mostra bem o lugar em que a gente está, neste momento do país. Tenho certeza de que se eu tivesse gritado ‘Bolsonaro, mito!’, nada teria acontecido. O Felipe Melo (jogador do Palmeiras) dedicou um gol ao presidente e não aconteceu nada. Os jogadores da seleção masculina de vôlei Maurício e Wallace fizeram o número 17 com as mãos e também não foram punidos. E eles se manifestaram no auge da campanha eleitoral”, comparou Carol.

A entrevista da jogadora após a conquista da medalha de bronze, em 20 de setembro, não teve o mesmo desfecho das manifestações citadas por ela. Em 9 de outubro, o STJD denunciou Carol Solberg ao tribunal com base em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva: o 191 — deixar de cumprir regulamento da competição, e o 258 — assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética esportiva não tipificada pelas demais regras do código.

Carol foi julgada no STJD no dia 13 de outubro, em audiência virtual, e acabou sendo advertida. De acordo com presidente da comissão, Otacílio Soares de Araújo, responsável pelo último voto, a decisão serviu como um puxão de orelha. “Se ela repetir, pode ser punida de uma forma pior”, avisou.

Soltou o verbo

A jogadora também falou sobre outros temas polêmicos na entrevista publicada pelo jornal neste domingo. Para Carol, que costuma se posicionar sobre os temas com personalidade, a contratação do atacante Robinho, pelo Santos, foi “uma irresponsabilidade”. “Cogitar o nome de uma pessoa que foi condenada por estupro para estar em campo atuando como ídolo, comemorando gol, é um desrespeito, uma violência contra as mulheres”, disparou a atleta.

A inclusão de jogadoras trans no vôlei feminino também foi abordada. Para ela, Tiffany Abreu, atleta trans que atuou na Superliga, tem que ser aceita. “Acho que ela tem que jogar. É tudo novo, eu sei, mas tem que ter inclusão. Isso é mais importante do que discutir se há vantagem. Pode ser que ela tenha sim, mas é importante ela estar ali, participando. Já sofre tanto preconceito.”