Entenda a briga entre São Paulo e Rio pela Fórmula 1 em 10 capítulos

A disputa nos bastidores entre as cidades para receber o GP do Brasil terá uma nova etapa nesta terça-feira, às 13h30

FREDERIC LE FLOCH/FOX PRESS PHOTO/AEFREDERIC LE FLOCH/FOX PRESS PHOTO/AE

atualizado 25/06/2019 11:32

A disputa nos bastidores entre São Paulo e Rio de Janeiro para receber o GP do Brasil de Fórmula 1 terá uma nova etapa nesta terça-feira, às 13h30. O governador João Doria (PSDB) e o prefeito Bruno Covas (PSDB) se reúnem no Palácio dos Bandeirantes com representantes da categoria para discutirem a renovação do contrato com São Paulo após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmar que as chances de o GP ir para o Rio são de “99%”. A capital carioca possui um projeto em andamento para construir um autódromo, cujo projeto é de cerca de R$ 700 milhões.

Veja o passo a passo dessa história e entenda como a busca pelo Rio de Janeiro em reconstruir uma pista se tornou uma concorrência com São Paulo para receber o GP do Brasil de Fórmula 1 nos próximos anos.

1º capítulo: o fim de Jacarepaguá
A antiga pista, que foi palco da Fórmula 1 na década de 1980, foi fechada de vez em 2012 para dar lugar ao Parque Olímpico dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Desde então, a prefeitura passou a procurar um novo local para erguer o autódromo. No mesmo ano, o Exército cedeu um terreno 2 milhões de metros quadrados na Floresta do Camboatá, em Deodoro, mas o local precisava de cuidados especiais. Como por muito tempo o espaço era utilizado para guardar munições, havia restos de bombas e minas. O sinal de alerta ficou evidente em junho de 2012, quando soldados do Exército acenderam uma fogueira no terreno e houve uma explosão. Uma pessoa morreu e três ficaram feridas. Por isso, foi necessário realizar uma varredura e uma limpeza no local para se confirmar a viabilidade da construção do autódromo.

Reprodução

2º capítulo: a faxina no terreno
De 2012 a 2015, o Ministério do Esporte investiu R$ 60 milhões no trabalho de descontaminação do terreno do Exército em Deodoro. Ao longo de três anos, escavações de até 10 metros de profundidade e a atuação de 250 pessoas resultaram na retirada de cerca de 4 mil granadas enterradas, além de estilhaços de explosões antigas e restos de munições velhas.

3º capítulo: a prefeitura do Rio dá o primeiro passo
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), abre o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para receber propostas sobre a construção de um novo circuito, desde que os projetos cumpram as exigências técnicas de infraestrutura e cumpram requisitos ambientais. A concorrência ficou aberta por mais de um ano, sem que houvesse a aparição de interessados.

4º capítulo: a entrada do consórcio Riomotorsport
Em junho de 2018, o Consórcio Rio Motorsports, formado por mais de 60 profissionais, entregou um projeto de 700 páginas para a prefeitura. A proposta do grupo foi elaborada com a parceria do arquiteto alemão Hermann Tilke, o responsável por assinar os desenhos das pistas de autódromos como Yas Marina, em Abu Dabi, Sochi, na Rússia, e Sakhir, no Bahrein. O material passou nos meses seguintes por correções, análises, consulta pública e audiências até ser declarado pela prefeitura como o modelo vencedor para nortear a futura licitação, que só viria a ser lançada no próximo ano, em 2019. O projeto final tinha como detalhes a construção de uma pista de 4,5 km de extensão e 20 curvas, capacidade para receber até 130 mil pessoas, possibilidade de receber eventos como a Fórmula 1 e a Moto GP, mais a construção no espaço de uma arena multiuso. O custo seria de R$ 697 milhões.

Divulgação/Consórcio Rio Motorsports

5º capítulo: a mobilização política
Logo após ser eleito governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), assumiu como compromisso levar a Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Em novembro do ano passado, ele recebeu o chefe da Fórmula 1, Chase Carey, para uma reunião sobre o projeto carioca. O encontro serviu para as duas partes se aproximarem e combinarem de prosseguir com as conversas sobre o tema.

6º capítulo: os obstáculos
Apesar da vontade dos governantes, o projeto do novo autódromo encontrou alguns problemas. Antes da licitação poder ser finalmente lançada, o Tribunal de Contas do Município (TCM) solicitou mais de cem correções ao texto inicial apresentado pela prefeitura. A Câmara dos Vereadores também apresentou um projeto de lei para transformar o terreno do Camboatá em Area de Proteção Ambiental (APA), por ser um dos últimos locais de Mata Atlântica em área plana na cidade. A licitação foi finalmente lançada em maio. Semanas depois, no mesmo dia em que foi anunciado o consórcio RioMotorsport como o vencedor da concorrência para construir o autódromo, o Ministério Público Federal entrou com um pedido de liminar para suspender o edital. O motivo: a expedição de uma licença prévia para comprovar a viabilidade ambiental do empreendimento. Por isso, mesmo com o anúncio da vitória no edital, o caso pode continuar com problemas na Justiça.

7º capítulo: o apoio de Jair Bolsonaro
No começo de maio, Jair Bolsonaro manifestou apoio ao projeto carioca. Durante evento no Rio de Janeiro, ele assinou termo de compromisso com a Fórmula 1 para construir o autódromo e afirmou que o GP do Brasil de 2020 já seria na capital fluminense. O posicionamento causou estranheza em São Paulo, principalmente por Interlagos ter acordo assegurado até o ano que vem para sediar a etapa brasileira da competição. As duas maiores cidades do País passaram a ter uma concorrência aberta pelo GP do Brasil de Fórmula 1.

8º capítulo: a reação dos paulistas
O governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito da cidade, Bruno Covas, se mobilizaram para explicar que Bolsonaro se confundiu ao afirmar que o Rio de Janeiro já receberia a Fórmula 1 em 2020. Os dois políticos paulistas realizaram reunião no Palácio dos Bandeirantes para montar uma estratégia de negociação para ressaltar que para a corrida migrar para o Rio, a categoria teria de romper contrato e pagar uma multa pesadíssima. São Paulo quer manter a Fórmula 1 pois o evento gerou movimentou em 2018 mais de R$ 330 milhões em atividades turísticas. O esforço em renovar com a categoria levou Covas a convocar deputados federais paulistas para debater e organizar um plano de ações em Brasília com o intuito de provar a importância de continuar a receber a etapa brasileiras. O plano de São Paulo de privatizar o autódromo de Interlagos passou por uma mudança nesse período. A prefeitura decidiu alterar o projeto e prosseguir com uma concessão do espaço à iniciativa privada. A Câmara de Vereadores aprovou na última semana o texto do projeto.

9º capítulo: reuniões com dirigentes da F1
As autoridades políticas de Rio e São Paulo trataram também de buscar contatos com dirigentes da categoria. Os paulistas recebem no próximo mês o chefe da F-1, Chase Carey, para uma reunião. A pauta será a renovação do contrato para continuar com o GP do Brasil para depois de 2021 e, assim, vencer a concorrência com o Rio de Janeiro.Os cariocas, por outro lado, receberam na última a diretora de promoções e eventos da Fórmula 1, Chloe Targett-Adams para um jantar no hotel Copacabana Palace. Witzel e Crivella participaram do encontro. A conversa teve como intuito reforçar o esforço das autoridades locais em levar o GP do Brasil para a capital fluminense nos próximos anos.

Igo Estrela/Metrópoles

10º capítulo: Rio com 99% de chances
O Grande Prêmio de Fórmula 1 do Brasil tem “99% ou mais” de chances de mudar de São Paulo para o Rio de Janeiro a partir de 2021. A declaração foi do presidente Jair Bolsonaro, que se reuniu com o diretor executivo da Fórmula 1, Chase Carey, e o governador fluminense, Wilson Witzel, na segunda-feira. “Nós não perderemos a Fórmula 1. O contrato vence ano que vem com São Paulo e resolveram retornar a Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Seria isso ou a saída do Brasil. Noventa e nove por cento de chance, ou mais, de termos a Fórmula 1 a partir de 2021 no Rio de Janeiro”, afirmou Bolsonaro. “Ninguém está tirando a Fórmula 1 de São Paulo. Ela está permanecendo no Brasil”, acrescentou. Pouco depois da declaração do presidente, Chase Carey não quis confirmar a mudança de São Paulo para o Rio de Janeiro. O diretor afirmou que está negociando, mas nada foi fechado. Declarou ainda que as conversas são privadas. “Estamos vendo a possibilidade de continuar a nossa participação no Brasil a partir de 2021. No momento, não temos nada fechado, estamos ainda em negociação. Não queremos eliminar qualquer possibilidade, estamos negociando com Rio de Janeiro, mas também com São Paulo”.

Classificação

PosTimePÚltimos
jogos
1Flamengo42
W W W W W
2Palmeiras39
D L W W W
3Santos37
L D W D L
4Internacional33
W L W W W
5Corinthians32
W D W D L
6São Paulo32
W L D L D
7Bahia31
D W W W D
8Grêmio28
D W D W W
9Atlético-MG27
L L L L L
10Botafogo27
L D L W D
11Athletico-PR26
L L W D L
12Vasco23
L W L L W
13Ceará22
L L L D D
14Fortaleza22
L D W L D
15Goiás21
D W L L L
16Fluminense18
L L W L W
17Cruzeiro18
W D W L L
18CSA16
W D L W D
19Chapecoense14
W D L L L
20Avaí13
L D W L W
Últimas notícias