Série da HBO sobre Arautos do Evangelho foi produzida após especial do Metrópoles
A nova série da HBO narra investigação contra membros da alta cúpula da Igreja Católica revelada pelo Metrópoles em 2019

A série documental Escravos da Fé – Os Arautos do Evangelho na HBO Max estreou nesta quarta-feira (11/3) e investiga denúncias envolvendo os Arautos do Evangelho, uma associação católica internacional reconhecida pelo Vaticano em 2001. O grupo, conhecido por sua atuação religiosa e educacional, é alvo de acusações de violência física, psicológica e sexual contra crianças e adolescentes.
A produção foi desenvolvida a partir do especial do Metrópoles Arautos do Evangelho: Os segredos escondidos nos castelos do grupo católico, publicado em 2019.
A reportagem revelou bastidores da organização, formada por padres e membros leigos ligados à Igreja Católica e regida por estatuto aprovado pelo Vaticano. Após as denúncias virem à tona, as atividades do grupo passaram a ser investigadas pelo Vaticano e também pelo Ministério Público.
Os repórteres Mirelle Pinheiro e David Ágape investigaram o grupo durante várias semanas. Eles visitaram sedes dos Arautos e entrevistaram ex-integrantes e familiares de devotos. A apuração apontou que, dentro de escolas ligadas à organização, crianças e adolescentes teriam sido vítimas de alienação parental, lavagem cerebral, assédio sexual, estupro, violência física e psicológica e bullying.
Leia o especial do Metrópoles sobre os Arautos do Evangelho clicando neste link
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA reportagem especial foi finalista do 8º Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal (MPF), na categoria Webjornalismo, e também do prêmio internacional True Story Award 2020/21.
As investigações deram origem à série documental Escravos da Fé – Os Arautos do Evangelho, lançada nesta quarta-feira (11/3) na HBO Max. A produção narra o escândalo em três episódios.
Série quase não foi lançada
Antes mesmo de estrear, a série da HBO Max correu o risco de não ser exibida. Em dezembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a proibir a veiculação da obra, em razão de uma disputa judicial em torno do documentário.
A associação que representa o grupo religioso entrou na Justiça para impedir que a série fosse exibida, argumentando que os fatos narrados na produção são alvo de processo criminal sigiloso conduzido pela Promotoria de Caieiras, em São Paulo.
Em meio ao imbróglio, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou decisão do STJ sobre a exibição da série no começo de março, conforme decisão divulgada pela coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles.
O magistrado determinou o levantamento do sigilo da ação e liberou a exibição do material por considerar que não se pode decidir com “censura prévia”, após uma liminar da Warner sobre a produção.
“A decisão reclamada, ao determinar que a parte reclamante se abstenha de divulgar obra audiovisual por ela produzida, revela-se, em tese, incompatível com o entendimento firmado por esta Suprema Corte no julgamento da ADPF n. 130, no qual se assentou a plena proteção constitucional à liberdade de expressão e a vedação de censura prévia“, considerou o ministro.
No entanto, ele complementou o pedido afirmando que o uso indevido de documentos ou depoimentos protegidos por segredo de justiça, caso venha a ocorrer, deverão ser apurados oportunamente, à luz das circunstâncias concretas.
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