Saídas de Faustão e Mion expõem momento de mudanças drásticas na TV brasileira

Os dois apresentadores, além de Luciano Huck, podem abrir espaço para novos programas e nomes inéditos na TV Aberta

atualizado

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1 de 1 Faustão_Luciano_Huck_Marcos_Mion - Foto: Divulgção

Os bastidores da televisão brasileira andam bastante agitados nos últimos tempos. Somente nesta semana, dois nomes gigantes, de diferentes emissoras, estão de saída. Fausto Silva não renovará com a Globo após 32 anos no canal. Marcos Mion, por sua vez, abandonou a Record.

Além deles, Xuxa, a eterna Rainha dos Baixinhos, está fora das telinhas e Luciano Huck, o sempre provável candidato à Presidência da República, já teria data para sair da Globo e dar vazão ao seu projeto político.

Huck na Band e na Globo. Xuxa na Globo e na Record. Mion com o Legendários até comandar o reality show A Fazenda e Fausto Silva à frente do Domingão do Faustão. Em comum, todos esses nomes, estão, desde os anos 1990, no comando de programas de auditório.

Para Fernando Morgado, professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha) e autor do livro Comunicadores S/A, as recentes notícias não significam uma decadência do formato – também conhecido como “programa contêiner”, que traz dentro do show principal diversas miniatrações. O especialista acredita que a televisão como um todo vive um momento de transição.

“É uma fase de mudanças, mas quero frisar que não se trata de uma decadências dos programas de auditório. O Domingão do Faustão, por exemplo, vivia um grande momento de audiência e comercial. Temos uma questão mais ampla, que passa pela reestruturação das emissoras, questões conjecturais ligadas à economia”, avalia Fernando Morgado.

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Leo Dias, colunista do Metrópoles, que acompanha de perto os bastidores da televisão, tem opinião divergente. Para ele, o formato já apresenta sinais de esgotamento.

“Há pelo menos cinco anos, o modelo de programa de auditório entrou em declínio, o fim já era sabido pelo mercado, embora ninguém ainda tenha uma solução para os domingos. Só que veio a pandemia e acelerou o processo, tirando a plateia, a ‘alma’ daquele show. A Record foi a primeira a identificar a falência do formato. O desafio da Globo não é achar o substituto do Faustão, mas encontrar o modelo, a fórmula para esse espaço na grade que está defasado”, aponta o jornalista. “O grande problema é que, mesmo com os dias contados, o programa de auditório dá lucro. Mas a questão é: até quando?”, questiona Leo Dias.

Troca de nomes

Na história da televisão brasileira, nomes consagrados da programação deixam o palco (ou apenas mudam de canal) para o surgimento de novos apresentadores. Assim foi a “troca” da geração de Flávio Cavalcanti, Hebe e Chacrinha, pela a de Gugu Liberato e o próprio Fausto Silva, nos anos 1980. A única figura no ar, sem maiores alterações, em seu auditório é Silvio Santos.

“Nos anos 1980, surgiu aquela nova geração que tinha Faustão, Gugu, Xuxa e César Filho. Mas os antigos de então seguiram na ativa, em outros formatos e canais. Hoje, estamos vendo uma outra renovação, de ampliação de artistas”, analisa Morgado. “A TV é feita de ciclos, não me parece que seja o fim dos auditórios, é um momento de mudança”, completa.

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Leo Dias entende que os programas, por mais que estejam num momento turbulento, ainda têm apelo junto ao público.

“A grande questão é: o público que está em frente à TV no domingo à tarde é muito tradicional, é a família brasileira, das classes C e D. Essa plateia quer ver algo moderno? O grande ponto favorável à Globo criar uma nova formula nesse horário é que o futebol antecede a atração. E o esporte é certeza absoluta de audiência. Com uma entrega tão alta, o risco de erro é bem menor”, explica o colunista.

Ao vivo

Com o crescimento cada vez maior dos canais digitais, com particular força para os serviços de streaming, a televisão aberta, que ainda funciona pelo sistema de grade, tem buscado um nicho para continuar relevante no mercado. E a aposta é o “ao vivo”.

“Com o avanço dos streamings, que investem principalmente em conteúdos gravados, séries e filmes tem perdido relevância na TV tradicional. Por isso, os canais buscam investir no ao vivo, seja no jornalismo ou no entretenimento… às vezes, em uma mistura dos dois”, conclui Fernando Morgado.

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