Relembre a carreira de Jô, um dos maiores nomes da TV brasileira

O ator, escritor, humorista, diretor e apresentador estreou no mundo artístico em 1956 e deixou legado

atualizado 05/08/2022 7:59

Divulgação/Gshow

O apresentador Jô Soares, que morreu nesta sexta-feira (5/8), aos 84 anos, em São Paulo, foi um dos maiores nomes da televisão brasileira. Ele estreou no mundo artístico em 1956, conquistou uma carreira brilhante, e se despede deixando um legado, principalmente na televisão brasileira, onde migrou do humor para a entrevista.

José Eugênio Soares nasceu em 16 de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro. Ele era o único filho do empresário Orlando Heitor Soares e de Mercedes Leal Soares. Aos 12 anos, mudou-se com a família para a Europa, onde pensou em seguir a carreira diplomática, mas seu amor pela arte falou mais alto.

A estreia na TV aconteceu em 1956. Naquele ano, participou no elenco da Praça da Alegria, na época na RecordTV, onde ficou por 10 anos.

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Ícone da TV

Na TV Tupi, Jô Soares fez participações no “Grande Teatro Tupi”, do qual faziam parte nomes como Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Sérgio Brito e Aldo de Maia.

Em 1960, Jô mudou-se para São Paulo para trabalhar na TV Record. O grande destaque da época foi A Família Trapo, exibido entre 1967 e 1971, todos os domingos. No princípio, Jô apenas escrevia o roteiro – seu parceiro era Carlos Alberto Nóbrega. Depois, ganhou um papel: o mordomo Gordon.

Em 1970, foi para a TV Globo estrelar o Faça Humor, Não Faça a Guerra, programa substituído pelo Satiricom em 1973. Três anos depois, como ator e redator, participou de Planeta dos Homens até 1981, quando começou a se dedicar ao próprio programa: Viva o Gordo. A atração tornou-se um dos ícones do humor brasileiro.

Nova função

No Viva o Gordo, o humorista viveu diversos personagens marcantes, como Reizinho, Capitão Gay e Zé da Galera. Jô trocou a Globo pelo SBT em 1987 para realizar um de seus maiores desejos: apresentar um programa de entrevistas.

O Jô Soares Onze e Meia foi ao ar entre 1988 e 1999, com mais de seis mil entrevistas com grandes personalidades brasileiras e internacionais. Em 2000, o humorista retornou à Globo para o icônico Programa do Jô, encerrado em 2016.

Jô Soares também foi autor best-sellers e escreveu para jornais e revistas.

Nos anos 1980, escreveu com regularidade nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo e para a revista Manchete. Entre 1989 e 1996, assinou uma coluna na Veja.

Também escreveu cinco livros, sendo quatro romances. A estreia foi O Astronauta sem Regime (1983), coletânea de crônicas publicadas originalmente em O Globo. O romance O Xangô de Baker Street (1995) liderou as listas dos mais vendidos e foi adaptado para o cinema em 2001. As obras seguintes foram O Homem que matou Getúlio Vargas (1998), Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (2005) e As Esganadas (2011).

No teatro, Jô ficou célebre por seus monólogos, todos marcados pelo tom cômico e crítico, com sátiras da vida cotidiana e política do Brasil. Os mais conhecidos foram Ame um Gordo Antes que Acabe (1976), Viva o Gordo e Abaixo o Regime! (1978), Um Gordoidão no País da Inflação (1983), O Gordo Ao Vivo (1988), Um Gordo em Concerto (1994) – que ficou em cartaz por dois anos – e Na Mira do Gordo (2007).

Como diretor, esteve à frente de Soraia, Posto 2 (1960), Os Sete Gatinhos (1961), Romeu e Julieta (1969), Frankenstein (2002), Ricardo III (2006).

Morte

Jô Soares morreu na madrugada desta sexta-feira (5/8), aos 84 anos. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde 28 de julho, para tratar de uma pneumonia. A causa da morte não foi informada.

O enterro e velório do corpo de Jô serão reservados à família e aos amigos. A data e o local ainda não foram informados.

Ex-mulher de Jô, Flavia Pedras informou a morte na sua rede social. “Faleceu há alguns minutos o ator, humorista, diretor e escritor Jô Soares. Nos deixou no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, cercado de amor e cuidados”, disse.

Homenagens

Após o anúncio da morte do humorista, famosos como a apresentadora Ana Maria Braga, a atriz Bárbara Paz e a cantora Zélia Duncan lamentaram o ocorrido e prestaram homenagens nas redes sociais. “Tua risada fica”, diz uma delas.

A apresentadora Ana Maria Braga lamentou a morte do amigo e disse que “o dia amanheceu sem graça” após a partida de Jô. “Eu tive a honra de conhecer e conviver com esse jornalista e humorista tão talentoso e querido de todos nós. Hoje o dia amanheceu mais sem graça. Vá em paz”, escreveu nas redes sociais.

Adriane Galisteu, que foi dirigida por Jô no teatro, também lamentou. “Meu Deus o mundo sem você…. Meu amado amigo , diretor, conselheiro , vizinho, que tristeza… você sempre foi cercado de amor e sempre será assim ! Vou seguir te aplaudindo e, através de suas obras, aprendendo com vc! Obrigada por tantas risadas , tantas conversas por todos os ensinamentos 💔🙏 te amo eternamente.”

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