Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Televisão

Maria Fernanda, dama do teatro e atriz de novelas, morre aos 96 anos

Filha da escritora Cecília Meireles, artista carioca chegou a ser presa durante a ditadura militar, em 1968

31/07/2022 13:02
Manchete/SBT/Reprodução
A atriz Maria Fernanda na novela Dona Beija

A atriz Maria Fernanda, dama do teatro brasileiro e conhecida também por trabalhos no cinema e na televisão, morreu no último sábado (30/7), aos 96 anos. Ela estava internada na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, em razão de complicações respiratórias.

Única filha ainda viva da poetisa Cecília Meireles (1901-1964) e do ilustrador português Correia Dias (1892-1935), Maria Fernanda Meireles Correia Dias deixa o filho Luiz Fernando, fruto do relacionamento com o diretor de TV Luiz Gallon, com quem foi casada entre 1956 e 1963. A família não divulgou informações sobre o velório.

Maria Fernanda, dama do teatro e atriz de novelas, morre aos 96 anos - destaque galeria
4 imagens
A atriz Maria Fernanda na novela Pai Herói
A atriz Maria Fernanda na novela Dona Beija
A atriz Maria Fernanda no filme Carlota Joaquina
A atriz Maria Fernanda na novela Gabriela
1 de 4

A atriz Maria Fernanda na novela Gabriela

Globo/Reprodução
A atriz Maria Fernanda na novela Pai Herói
2 de 4

A atriz Maria Fernanda na novela Pai Herói

Globo/Reprodução
A atriz Maria Fernanda na novela Dona Beija
3 de 4

A atriz Maria Fernanda na novela Dona Beija

Manchete/SBT/Reprodução
A atriz Maria Fernanda no filme Carlota Joaquina
4 de 4

A atriz Maria Fernanda no filme Carlota Joaquina

Reprodução

Durante 70 anos, Maria Fernanda ocupou os palcos e chegou a ser detida durante a ditadura militar, em 1968, enquanto apresentava uma remontagem de Um Bonde Chamado Desejo em Brasília. A prisão provocou uma passeata contra a censura em frente ao Theatro Municipal do Rio, com participações de Paulo Autran, Marieta Severo e Odete Lara, entre outros artistas.

Maria Fernanda iniciou sua carreira em 1948, interpretando a personagem Ofélia, na primeira montagem de Hamlet feita no país. Nos anos 50, estudou artes cênicas na Europa e conheceu figuras como o dramaturgo britânico Bernard Shaw e o mímico Jean-Louis Barrault.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Ganhou destaque no papel de Blanche DuBois em duas montagens diferentes da peça Um Bonde Chamado Desejo. Na segunda, em 1963, lhe rendeu os prêmios Molière, Saci e Governador do Estado de melhor atriz.

O currículo de Maria Fernanda no teatro conta com representações de autores clássicos, como Eurípedes, e modernos, como Jean-Paul Sartre, Nelson Rodrigues e Jean Genet, além de Martins Penna, Tchekhov, García Lorca, Bertolt Brecht, Arthur Miller, Strindberg e Oscar Wilde.

No cinema, Maria Fernanda estrelou produções da Atlântida e da Vera Cruz nos anos 40 e 50. Na retomada, em 1995, interpretou D. Maria I, a louca, em Carlota Joaquina, Princesa do Brazil.

A atriz também ficou conhecida por papéis na TV. Interpretou Scarlet O’Hara na novela …E o Vento Levou, da Tupi, em 1956, ao lado de Lima Duarte. Também protagonizou a novela Dr. Jivago, transmitida ao vivo pela Record em 1959, seis anos antes da famosa versão para o cinema.

Entre suas outras personagens na televisão, Maria Fernanda viveu Sinhazinha, em Gabriela (1975), e Gilda, em Pai Herói (1979), ambas na Globo, e Cecília, em Dona Beija (1986), na Manchete.

Maria Fernanda, dama do teatro e atriz de novelas, morre aos 96 anos