Césio-137: ator da série expõe revolta e lembra infância como catador

William Costa, ator do DF, interpretou o personagem Darlei em Emergência Radioativa, série da Netflix sobre o acidente com Césio-137

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Foto colorida do ator William Costa - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida do ator William Costa - Metrópoles - Foto: Reprodução/Instagram

A nova série da Netflix, Emergência Radioativa, que revisita o acidente com o Césio-137 em Goiânia (GO), colocou o ator do Distrito Federal William Costa diante de uma história que, segundo ele, ainda carece de reparação no Brasil. No papel de Darlei, personagem inspirado em vítimas da tragédia, o artista afirma que a preparação para o papel trouxe indignação e reflexão social.

William, que é mineiro de Itambucari, mas mora no Distrito Federal (DF) desde os 11 anos, iniciou a carreira em produções independentes no quadradinho, inclusive com algumas webséries que desenvolvia com amigos pelas ruas da Samambaia Sul.

Em entrevista ao Metrópoles, ele refletiu sobre a experiência de interpretar uma vítima do acidente radioativo na nova produção da Netflix, protagonizada por Johnny Massaro.

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William Costa é do Distrito Federal
Na série, ele faz o personagem Darlei
William como Darlei
William Costa
William em Emergência Radioativa, nova série de Netflix
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Na série, ele faz o personagem Darlei

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William Costa

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“Esse trabalho também despertou em mim um sentimento de revolta, porque, quando estudei a história das vítimas, entendi que até hoje não houve nenhuma reparação justa para elas e seus familiares. Além de ter responsabilidade direta pela contaminação, o Estado também deixou esse caso cair no esquecimento e, até hoje, não deu o amparo necessário às pessoas afetadas por essa tragédia.”

Durante o processo, William também refletiu sobre desigualdade social e o que define como racismo ambiental: “A série também escancara um tema que é pouco falado, que é o racismo ambiental que existiu na época e existe até hoje em todo o país”. Ele relaciona o acidente a um contexto em que populações vulneráveis ficam mais expostas a riscos, muitas vezes por falta de informação.

A história também teve impacto pessoal. Ao relembrar a infância em Minas Gerais, o ator contou que viveu realidade semelhante à de catadores retratados na produção.

“Quando eu e meus irmãos ainda morávamos em Tambacuri, Minas Gerais, a gente costumava sair para catar latinha no final das festas, catar fio de cobre principalmente. A gente entrava em lugares muito arriscados também, e por sorte não teve nada radioativo“, conta.

No meio do processo de catar fios de cobre para vender, William conta que também encontrou uma forma de expressão artística. “Pegava esses cobres, às vezes escondido dos meus irmãos, e fazia meus próprios brinquedos. Enquanto eles queriam juntar material para comprar um videogame, eu queria criar bonequinhos de ação que não podia comprar na loja. Eu fazia — e ainda faço — esses bonecos de fio de cobre até hoje. Às vezes vendo, às vezes dou de presente ou exponho em alguma galeria quando tenho oportunidade.”

Reencontros e repercussão

Nos bastidores da série, William destaca a troca com o elenco, como Johnny Massaro e Bukassa Kabengele, especialmente nas cenas mais intensas: “A gente conversou muito sobre como queria retratar esses personagens com dignidade e humanidade, fugindo do óbvio”.

Ele contracenou com Massaro anteriormente, em O Pastor e o Guerrilheiro, de 2019, e diz que reencontrá-lo em outro momento da carreira trouxe novas camadas ao trabalho.

William também comentou as críticas sobre a produção não ter sido gravada em Goiânia, onde tudo aconteceu. Na avaliação dele, a recriação em outra cidade não compromete a narrativa. O foco está na forma como a história é contada e no impacto que ela pode provocar no público.

“A série conseguiu captar a essência e as problemáticas daquela época mesmo sendo gravada nos tempos atuais, e em outra cidade”, completa.

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