Produtores acusam GDF de descaracterizar Carnaval de Brasília

Para os organizadores, shows gratuitos de artistas nacionais como Elba Ramalho e Psirico tiram o protagonismo dos tradicionais blocos de rua

atualizado 30/01/2020 18:41

Thiago S. Araujo/ Especial para o Metrópoles

Os anúncios feitos pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), nesta quinta-feira (30/01/2020), para o Carnaval de Brasília, não agradaram alguns produtores culturais da cidade. O desagrado maior está voltado para a principal novidade: o polo Esplanada. Espaço carnavalesco localizado no centro da capital federal, que receberá atrações nacionais como Gustavo Mioto, Glória Groove, Elba Ramalho, Preta Gil e Psirico, entre outros, durante o feriado.

O polo Esplanada será gratuito para a população. O Secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, informou que o GDF vai arcar a infra-estrutura e os cachês dos artistas será custeado pela iniciativa privada. Responsáveis pela organização de algumas das principais festas populares do Distrito Federal, os agentes afirmam, em nota enviada à imprensa, que a ação é uma estratégia do governo para tirar o protagonismo e esvaziar os eventos tradicionais.

“Salvo as artistas Dhi Ribeiro e Maria Vai Casotras, a programação não tem nenhum vínculo com o legado do Carnaval do DF. Esta programação poderia ter sido agregada em qualquer plataforma e bloco do DF. Desonerando o suado recurso público da Cultura. E assim, promovendo a cadeia da Economia Criativa do Carnaval do DF”, ressalta o texto assinado em conjunto pelos Coletivo de Blocos de Rua do DF, Plataforma de Carnaval Sul (Setor Carnavalesco Sul), Plataforma de Carnaval Norte (Praça dos Prazeres), Rede Carnavalesca e Campanha Folia com Respeito.

Ainda de acordo com os produtores, a parceria fere as legislações de Carnaval , Lei 4.738/2011 e Decreto 38.019/2017, que guardam os direitos de “Mestres, Mestras, Artistas, Comunidades, Blocos e Escolas de samba”, que cultivam o legado histórico do Carnaval de Brasília.

Outro lado

Durante a coletiva, Bartolomeu Rodrigues ressaltou que a intenção nunca foi a de descaracterizar o Carnaval de Brasília e enfraquecer os blocos tradicionais. “A ideia é diversificar, dar mais uma opção e aproximar Brasília de capitais como Salvador e Recife”.

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