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Conhecida por conta de seus contínuos problemas estruturais, a Biblioteca Nacional de Brasília (BNB) foi envolvida em uma nova polêmica. Após a saída do professor e bibliotecário Antônio Miranda da direção da instituição, a Secretaria de Cultura do DF (Secult) nomeou o economista Carlos Alberto Ribeiro de Xavier, que antes ocupava uma função comissionada no Ministério da Educação, para o cargo.

A nomeação da Secult, além de provocar desconforto entre os bibliotecários, vai de encontro à Lei 4.084, criada no dia 30 de junho de 1962. De acordo com a legislação, só pode dirigir uma biblioteca aqueles que tiverem formação em biblioteconomia.

Porém, a discussão sobre o tema vai além do aspecto legal. “A biblioteca é uma instituição altamente especializada, precisa de alguém que saiba manusear os serviços de informação com eficiência”, explica Sely Costa, bibliotecária e professora em Ciências da Informação da Universidade de Brasília (UnB).

 

Sely foi diretora da Biblioteca Central (BCE), a principal da UnB, por dois anos. “É um cargo muito técnico. Tem que saber manejar coleções e pensar em perfis de usuários. Em tempos de crise, qualquer recurso mal utilizado pode trazer problemas à instituição”, diz.

Ela também lembra que a grande maioria dos países ocidentais possui regulamentos parecidos com o do Brasil. “Em países como Canadá e Reino Unido a legislação é ainda menos permissiva. Lá, só podem ser diretores de bibliotecas aqueles que tiverem doutorado e experiência na área”, afirma.

Imbróglio
A decisão da Secult também provocou reações contrárias por parte do Conselho Regional de Biblioteconomia. Em nota ao Metrópoles, a instituição afirmou que a polêmica “não é fruto de corporativismo” e que tal nomeação pode ser prejudicial para a categoria e para a instituição.

A Biblioteca Nacional foi pensada para servir de referência a todo o país. Se não respeitamos a lei nem em Brasília, como exigir que a respeitem em outras cidades do Brasil?"
Nota do Conselho Regional de Biblioteconomia

O imbróglio chegou à Procuradoria Geral do Distrito Federal, que lançou um parecer em agosto deste ano pedindo a nomeação imediata de um bibliotecário na direção da Biblioteca Nacional.

Secult
Em resposta, a Secult afirmou que a Biblioteca Nacional “passa por um momento de transição e em breve terá um novo diretor para dar sequência às políticas de livro e leitura”. Xavier entrou em julho deste ano e ainda não há previsão de quando será efetivada uma nova nomeação. 

O órgão também afirmou que Xavier é “um servidor com profundo conhecimento da BNB, do Sistema de Bibliotecas do DF e Mala do Livro, além de atuar como conselheiro de cultura no segmento literário”.

 

 

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