Piloto de Marília Mendonça se comunicou antes de queda, segundo relato

Sem se identificar, homem contou ao Globo que Geraldo Martins Júnior se comunicou pela frequência de rádio local por três vezes

atualizado 11/11/2021 20:42

Avião é retirado de local Marília MendonçaReprodução/Facebook

Um piloto que guiava um monomotor na mesma região onde caiu o avião que levava a cantora Marília Mendonça e mais quatro pessoas afirmou que o piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior, da PEC Táxi Aéreo, se comunicou pela frequência de rádio local e, por duas vezes, informou que iniciaria o pouso.

Sem se identificar, o homem contou ao jornal O Globo que Geraldo disse que pegaria “a perna do vento”, jargão técnico da aviação usado quando um condutor está prestes a começar os procedimentos de pouso. Logo, para o profissional, não houve indícios de que havia algo errado com a aeronave, que atingiu uma área de cachoeira em Caratinga (MG) na sexta-feira passada (5/11). Todos os ocupantes morreram.

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“Ele disse que estava pegando a perna do vento e, cerca de 20 segundos depois, voltou a dizer que estava pegando ‘a perna do vento 02’, o que significa que estava iniciando o procedimento padrão de pouso. Isso não configura uma anormalidade pois os pilotos podem prolongar um pouco o tempo do pouso”, afirmou ele.

Como foram emitidas por frequência radiofônica, as mensagens não ficaram gravadas. O homem já prestou depoimento aos órgãos que investigam as causas do acidente, como o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa). Ele trabalha para empresários locais e tem o costume de passar pela área da tragédia.

As comunicações

Na primeira comunicação, o comandante disse que voava a 12.500 pés e a “44 fora”. O piloto do outro avião explicou que é uma altitude compatível com o local, mas questionou para ter certeza se Geraldo se referia a 44 milhas. A informação foi confirmada.

Na segunda mensagem, o piloto da PEC Táxi Aéreo informou que estava em processo de descida, a 6.500 pés, também padrão, de acordo com o relato. Em seguida, na terceira comunicação, foi dito: “PTONJ [prefixo da aeronave] ingressando perna do vento 02 em Caratinga.”. Isso significa que a pista já estaria visível e o pouso seria de fato iniciado.

“Vinte a 30 segundos depois, ele votou a falar: ‘Ingressando perna do vento 02′”, ressaltou o profissional, que pousou normalmente, sem saber do acidente com o avião onde estava a cantora Marília Mendonça.

“Eu achei que ele tinha pousado normalmente. Em solo, perguntei para a equipe sobre o outro avião, e eles disseram não ter havido outro pouso. Cinco minutos depois, meu celular começou a tocar. Eram amigos perguntando se eu estava bem. Foi assim que eu soube da queda”, relembrou ao Globo.

Acidente

Há quase uma semana, um acidente aéreo matou a cantora Marília Mendonça; o produtor Henrique Vieira; o tio e assessor dela, Abicieli Silveira Dias Filho; o piloto, Geraldo Martins de Medeiros Júnior; e o copiloto, Tarciso Pessoa Viana. A aeronave partiu de Goiânia e caiu em Caratinga, no interior de Minas Gerais, pouco antes de pousar. A cantora faria um show na cidade e tinha apresentações marcadas para outros municípios do estado.

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O acidente ocorreu em uma área de cachoeira, o que dificultou o resgate. De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, Marília e os membros da equipe já estavam mortos quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que aeronave não tinha caixa-preta. O órgão apura o que provocou o acidente. Os dois motores vão passar por uma perícia detalhada nos próximos dias.

A cantora, o tio e o produtor foram sepultados no sábado (7/11) em Goiânia. O piloto e o copiloto foram enterrados no Distrito Federal no domingo (8/11).

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