Kawe, Kuririn e mais: sem apoio, rappers independentes dominam a web

Com milhões de views nas plataformas de streaming, a nova geração do hip-hop mostra ser possível ter sucesso sem apoio de grandes gravadoras

atualizado 25/06/2021 16:35

Tamires Dantas/ Divulgação

Desde o surgimento do hip-hop até os dias atuais, os artistas do segmento precisam de mais que talento para vencer na cena musical. Sem apoio de grandes gravadoras ou destaque na mídia tradicional, os rappers encontram no terreno democrático da internet o espaço para divulgar as poesias periféricas que fazem a cabeça de jovens ao redor do mundo. A produção independente tem se mostrado não só um caminho possível, mas libertador e lucrativo para a nova geração.

Com mais de 231 milhões de visualizações no YouTube e 200 milhões de streamings no Spotify, número que o consagrou o rapper mais ouvido da plataforma no Brasil, Kawe superou os desafios naturais de uma carreira independente e cravou seu nome no mercado fonográfico brasileiro.

Nascido e criado em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, Kawe Cordeiro dos Santos, de 22 anos, começou a rimar aos 15, nos intervalos das aulas. Mas foi nas batalhas de rima que fez escola e apurou o talento. “Nelas eu pude me perceber e me entender como cantor de rap. Lá, vi que era isso o que eu queria para minha vida, viver de música, de rap, de rimas”, lembra Kawe.

Kawe se prepara para lançar a faixa Mds 2, uma continuidade do maior viral no TikTok Brasil

Até o primeiro hit, a romântica Rubi (2018), que, de forma orgânica ultrapassou 49 milhões de views no YouTube, Kawe enfrentou muitas barreiras.

“O maior desafio é conseguir um investidor, apesar de ser independente, é preciso correr atrás de parcerias ou financiamentos para criar produções que chamem a atenção das pessoas. O relacionamento com as distribuidoras e as agregadoras também é importante, mas é uma relação que você vai construindo com o tempo. Aos poucos, os resultados vão abrindo as portas”, explica.

Misturando o trap, um subgênero do rap, com o funk paulista, Kawe fez a faixa MDS, em parceria com Lele JP, viralizar no TikTok com desafios de danças e alcançar o primeiro lugar do ranking TOP 50 do Spotify. “Foi um verdadeiro incentivo para continuar a compor e me dedicar ainda mais. Só vivendo algo assim para entender a importância de uma música acontecendo, caindo no gosto das pessoas, alcançando lugares distantes, é o motor para qualquer cantor, com certeza”, ressalta o rapper.

A alta repercussão nas redes sociais chamou a atenção não só do público, mas das grandes empresas do meio musical. “Estamos recebendo propostas de grandes gravadoras, mas estamos estudando ainda. É um grande passo e uma decisão difícil de ser tomada. Existe o interesse de fechar, mas o trabalho independente está dando certo, então tem que valer muito a pena”, confessa Kawe, que em julho lançará o álbum de inéditas 7 Dígitos.

Aos 21 anos, Kuririn gosta da liberdade de tomar as próprias decisões e não tem o desejo, por enquanto, de deixar de ser um artista independente
Kuririn

João Bonfim, mais conhecido como Kuririn, experimenta a sensação de ver suas músicas rodarem o Brasil. Nascido e criado na Vila Pompéia, bairro da Zona Oeste de São Paulo, o rapper ultrapassa a marca de 8 milhões de streamings no Spotify e mais de 2 milhões de visualizações no YouTube.

O talento para a composição aliado ao trabalho duro no estúdio e um sério plano digital são alguns ingredientes do sucesso de Kuririn. “Tenho o planejamento de 2021 todo já fechado, com um lançamento por mês”, explica o rapper que, para julho próximo, promete um feat com MC PH.


Aos 21 anos, Kuririn se destaca por tratar de temas diversos em suas letras. “A música sempre sai de forma natural, chego ao estúdio e a partir daquele momento posso ir embora com um lovesong, um som pra pista, algo mais consciente ou que fale de meus sentimentos internos”, aponta.

Kuririn também considera a falta de dinheiro para produzir bons clipes e investir na divulgação é o maior desafio: “Claro que não dá para comprar talento, e há artistas que conseguem fugir dessa regra, mas um bom som somado a um bom marketing dão chances maiores de chegar longe”.

Com a carreira bem encaminhada, Kuririn não sente mais falta do respaldo dado por gravadoras de renome. “Hoje me sinto muito bem trabalhando sozinho, tenho minha equipe, mas eu mesmo tomo minhas decisões. Não vou dizer que nunca fecharia algo, porque tudo depende das condições”, conclui o artista.

Rappers em ascensão

MC PH

Com mais de 32 milhões de visualizações só no seu canal oficial no YouTube, o rapper paulistano flerta com o funk e tem os principais hits lançados pela KondZilla: Tudo Tão Perfeito, Selecionadas, Sensualizar e Troca de Desejos. Amigo pessoal de MC Kevin, MC PH participa de Opção, uma das faixas de Passado & Presente, álbum póstumo do artista morto após acidente em hotel no Rio de Janeiro.

MC Hariel

Ídolo do trapfunk, MC Hariel começou a cantar aos 11 e trabalhou entregando pizza e vendendo cartões antes de estourar, aos 16, com a faixa Passei Sorrindo. Filho de violonista Celso Ribeiro, que tocava música folclórica com versos de resistência política, o rapper mistura batidão com letras cada vez mais engajadas. O single mais recente, Muito Sagaz, ultrapassou 2 milhões de views em menos de um mês.

L7NNON

L7nnon foi uma das principais revelações do rap brasileiro em 2018. Para continuar no caminho de ascensão, o rapper nascido e criado em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, acaba de lançar Da Boca, faixa com produção de Papatinho, que soma mais de 14 milhões de views.

Choji 

“Agora Choji vai rodar o mundo”, é assim que o rapper batizado Gabriel, de 19 anos, previu o sucesso já no primeiro verso de Meu Lado da História, lançada em 2020. De lá para cá, o rapper contabiliza 31 milhões de visualizações no YouTube e 20 milhões de streamings no Spotify.

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