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Será uma grande rapsódia em pleno coração de São Paulo. Está marcada para terça (30/10), no estádio Allianz Parque, uma sessão especial da cinebiografia sobre o líder do Queen, Freddie Mercury, com estreia marcada no país na próxima quinta-feira (1º/11). O evento, realizado pela Fox Film, contará com 4 mil fãs. Resta saber se a produção, que passou por problemas de ego inflado e acusação de abuso sexual do diretor Bryan Singer, demitido, supera as expectativas.

No que diz respeito às atuações, sobretudo quando envolve a trajetória profissional e vida de astros da música, quase sempre nunca são. No final, por mais dinheiro e produção de primeira despendidos, tudo se resume a caricatura. Mas há raras e boas exceções, então boa sorte para o jovem ator Rami Malek nessa grande homenagem a uma das vozes mais marcantes da música do século 20. Enquanto para nós, da Jukebox Sentimental, o que está em jogo é a música.

Isso porque, desde o dia 19 deste mês a trilha sonora do filme está disponível no Spotify com a assinatura Bohemian Rhapsody e, como era esperado, conta com os maiores sucessos da banda inglesa que vendeu mais de 200 milhões de disco em todo o mundo. Um fenômeno, com certeza. Na plataforma, além das gravações originais, os fãs poderão conferir algumas performances ao vivo antológicas do grupo, um dos precursores das apresentações em arenas.

Estão lá, por exemplo, o inesquecível desempenho de Freddie no Rock in Rio, em 1985, com a singela balada “Love of My Life”, além de quatro faixas da participação da banda no Live Aid, no mesmo ano, embalando coro de cerca de 82 mil pessoas ao som de grandes sucessos como “Bohemian Rhapsody”, “Radio Ga Ga” e “We Are The Champions”. Confira aqui curiosidades sobre alguns desses clássicos do Queen na trilha sonora do filme “Bohemian Rhapsody”.

Top Five: trilha sonora de Bohemian Rhapsody:

Bohemian Rhapsody – Com seus extasiantes quase seis minutos, a música sintetizou o som do Queen, numa mistura até então inusitada de ópera e rock. “Ninguém jamais ouviu falar em se juntar ópera com um tema de rock”, diria Freddie em 1977, que há anos tinha essa música pronta na cabeça, mas só a botou para fora durante os preparativos para a gravação do álbum A Night at the Opera (1975). “Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Era o bebê de Freddie. Só o ajudamos a lhe dar vida”, comentaria em 2002 o guitarrista Brian May.

Embalada num arranjo progressivo suntuoso, pitadas de Nietzsche e boa dose de sátira, a canção traz a história de um jovem assassino angustiado que lança suas últimas palavras para a mãe antes de ser executado. Pessoas próximas ao artista gostavam de dizer que a faixa refletia, na forma de três atos, os conflitos interiores do cantor: “Mamãe! / Não foi minha intenção te fazer chorar / Se eu não estiver de volta nesta hora amanhã / Continue, como se nada realmente importasse”, canta numa das estrofes.

Somebody to Love – Extremamente pessoal, a canção, escrita por Freddie Mercury e também cantada por George Michael, diz muito sobre o estado de espírito do artista na época, então no auge do sucesso, mas em conflito amoroso e crise de identidade. É um canto lamuriento na linha daqueles números hits gospel da Motown, com lampejos de jazz sobre alguém que trabalha muito, mas ainda não encontrou o amor de sua vida. Esse alguém seria David Minns, com quem ele ficou naquele momento depois de deixar a mulher Mary Austin, com quem viveu mais de seis anos. Ela se tornaria sua eterna amiga, conselheira e confidente, além de sua única herdeira.

Love of My Life – É a preferida do público, que cantava em uníssono com o artista nos estádios mundo afora, como mostra o antológico show no Rock in Rio, em 1985. Reza a lenda que a musa inspiradora dessa balada vitoriana foi a primeira e única mulher da vida de Freddie, Mary Austin, com quem viveu por algum tempo uma sexualidade desabrochada sem complexo e culpa.

Killer Queen – Gravada no terceiro álbum do Queen, Sheer Heart Attack (1974), que ainda flertava com o glam rock, foi o primeiro sucesso internacional da banda e a primeira contendo os ingredientes que definiriam a sonoridade da banda em Bohemian Rhapsody. Fala das aventuras de uma prostituta da alta sociedade. “Caviar e cigarros / Bem versado na etiqueta / Extraordinariamente bom / Ela é uma rainha matadora”, canta Freddie.

We Are the Champions – Hit fácil nas vitórias esportivas e uma das canções mais famosas e grudentas do Queen, a baladona épica de 1977 foi composta pelo vocalista em homenagem ao espírito de equipe e competição, trazendo a marca inconfundível da sua assinatura como compositor. Em 2009, a faixa foi introduzida ao Grammy Hall of Fame. Em 2005, foi eleita a canção favorita em todo o mundo numa pesquisa realizada pela Sony Ericsson.