*
 

The Weeknd, aos 26 anos, anda preocupado em solucionar uma dúvida. O que vem depois da fama? “Starboy” parece ser a continuação natural de “Beauty Behind the Madness” (2015), o disco que fez o cantor estourar mundialmente. O canadense abraça de vez a música pop para, por meio dela, seguir destilando suas crônicas etílicas e insones sobre curtição, drogas, desejo, melancolia.

Autoapelidado de “o rei do outono”, Weeknd alcançou um nível de popularidade impensável para quem o acompanhava há uns quatro, cinco anos. Hoje, ele é o tipo de artista que figura no topo da Billboard, emplaca música (“Earned It”) na franquia erótica “Cinquenta Tons de Cinza” e acumula dezenas de milhões de cliques a cada novo clipe lançado.

Entre 2010 e 2011, ele era apenas o desconhecido Abel Tesfaye. Surgiu misteriosamente como um sujeito de Toronto que assinava como Weeknd e postava músicas no YouTube. Essas primeiras produções geraram a mixtape “House of Balloons” (2011), que chamou a atenção da mídia e gente famosa como o rapper Drake (também canadense).

“Starboy” (“o garoto das estrelas”) representa quase que uma ruptura entre as duas personas de Weeknd. Ele encerrou sua fase underground ao reunir “Balloons” e suas duas outras mixtapes de 2011 em “Trilogy” (2012). Quando levou sua produtora XO para o selo Republic, no fim de 2012, assumiu-se como um nome do mainstream. O que não deveria ser algo ruim. Mas, de certa maneira, foi.

New Wave, pop anos 80: erros e acertos
O novo disco começa (“Starboy”) e termina (“I Feel It Coming”) com colaborações ao lado do Daft Punk. Não à toa, os melhores momentos do CD. Eis o porém. Todo o miolo é pontuado por uma incursão agressiva e irregular no rock New Wave (Talking Heads, The Smiths) e no pop oitentista (Prince).

Weeknd é um raro caso de artista que já surgiu com um som muito bem definido. Aos poucos, as divagações noturnas e intensas de “House of Balloons” culminaram nesse pop megaproduzido de “Beauty Behind the Madness”. “Starboy” registra o que parece ser o reinício, a procura ansiosa por uma nova identidade pós-fama. E uma nova sonoridade.

Em “Ordinary Life”, vê-se um festeiro deprimido. O sucesso se torna algo degradante nos versos de “Six Feet Under”. A voz doce e venenosa de Weeknd, com timbres que sempre rendem comparações a Michael Jackson, busca no passado da música pop o estímulo para seguir em frente.

Tudo isso um ano após estourar. Não deu outra. “Starboy” soa como um balanço apressado de “Beauty Behind”. O que ainda torna Weeknd um artista autêntico é o quanto essa “reflexão” se faz na pista de dança, às 3h da madrugada, com os vícios e virtudes que a rodeiam.

Avaliação: Regular


“Starboy”, do The Weeknd, ainda não está disponível em versão física no Brasil

O disco pode ser ouvido no iTunes, Google PlaySpotify e outras plataformas

 

 

COMENTE

popthe weekndKendrick Lamarstarboymúsica internacionaldaft punklana del rey
comunicar erro à redação

Leia mais: Música