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O Concerto Noite das Estrelas acontece, nesta segunda e terça-feira (8 e 9 de outubro), em São Paulo, promovendo o encontro de vários artistas com carreiras vinculadas às ações do Mozarteum – escola de música erudita que conta com orquestra sob regência de seu maestro titular, Carlos Moreno, na capital paulista.

O tenor brasiliense Ian Spinetti, 23 anos, bolsista da Mozarteum, na Universidade Augsburg (Alemanha), estará junto de outros 11 solistas. Ele apresentará uma música do compositor austríaco Franz Lehár. O rapaz iniciou os estudos em canto erudito no ano de 2013, na Escola de Música de Brasília, e três anos depois foi estudar no país europeu.

O brasiliense contou para o Metrópoles sobre o cenário musical erudito no Brasil e deu conselhos a quem pretender seguir carreira na área:

O que acha do cenário musical erudito na capital e no Brasil?
O cenário musical em Brasília é um cenário sustentado pela boa vontade de todos os musicistas da cidade. Portanto, é impossível viver dessa arte na capital. Alguns projetos capazes de ajudar dando chances a talentosos jovens solistas, como a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Carlos Santoro (OSTNCS), enfrentam problemas estruturais e não conseguem, ao meu ver, desempenhar esse papel tão bem. Por outro lado, as Sextas Musicais, da Casa Thomas Jefferson na Asa Sul, administradas pelo grande amigo Luiz Carlos Costa, ajudam a mostrar alguns talentos locais.

Como é o mercado?
A maior parte dos musicistas de Brasília precisa dar aulas, trabalhar em eventos, montar alguns grupos pequenos ou, algumas vezes no ano, tocar em concertos maiores mobilizados por algumas pessoas. Janette Dornellas teve uma iniciativa incrível com a sua Casa da Cultura, na Asa Norte, e começou um Ópera Estúdio, onde jovens estudantes de canto podem ganhar experiências de palco.

Atualmente, você estuda na Universidade de Augsburg, Alemanha. Como é a sua rotina?
As aulas acontecem nos mais variados horários do dia: aprendo canto, teoria, idioma, etc. A diferença é que as matérias teóricas não levam a presença em consideração, deixando bem mais fácil caso o estudante precise fazer algumas atividades ou trabalhos extracurriculares. Como canto, preciso passar, às vezes, até duas semanas trabalhando fora. Essa flexibilidade facilita muito minha vida. Na Alemanha, não preciso mais de carro, faço absolutamente tudo de bicicleta.

Você imaginou que chegaria aonde está agora? Quais eram os principais sonhos e objetivos do início?
Desde o meu primeiro dia de aula, meu eterno mestre, Francisco Frias, da Escola de Música de Brasília, dizia que, caso eu quisesse e me esforçasse, poderia chegar a um nível internacional e fazer uma carreira fora do Brasil. Ele sempre me encorajou e estimulou.

Algum dia eu quero cantar no Metropolitan em Nova York. Eu diria que, com a minha vida atual, apesar de algumas dificuldades, já me sinto uma pessoa extremamente realizada, mas continuo ambicioso e seguindo em frente.

Pretende voltar para o Brasil?
Digamos que em algum momento eu consiga uma carreira longa e de sucesso, juntar uma boa quantia de dinheiro e retornar. Gostaria de criar um programa que ajude jovens brasileiros a achar um caminho para ir ao exterior, onde se tem mais oportunidades na área. O Brasil, infelizmente, é um país muito novo, Brasília mais ainda.

Que conselhos daria para quem deseja seguir a mesma carreira?
Eu diria que o mais importante é não desistir e ouvir seu professor, além de confiar no próprio ouvido e ter autocrítica. Todos devem ouvir muita ópera, conhecer os cantores mais novos que estão fazendo carreira e estudá-los. Correr atrás, encontrar oportunidades e ter muita cara de pau são essenciais. Aprender inglês e mais um idioma, como alemão, francês ou italiano, também é necessário.

Concerto Noite das Estrelas
Nesta segunda e terça (8 e 9 de outubro), às 21h, na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, São Paulo). Ingressos/setores: R$ 150 (D); R$ 250 (C); R$ 400 (B); R$ 500 (A). Vendas on-line