Bobby McFerrin vem ao Brasil em março para apresentações em Trancoso
Em duas noite, cantor vai reger a Orquestra Experimental de Repertório e se apresentar ao lado do pianista Cesar Camargo Mariano

O cantor inglês (radicado nos Estados Unidos) Bobby McFerrin estará no Brasil nos dias 5 e 7 de março para apresentações no 5º Festival de Música em Trancoso, na Bahia. No dia 5, em uma noite chamada Bobby Meets Brazil, vai cantar e reger a Orquestra Experimental de Repertório, que terá como solista o pianista Maciej Pikulski. Já no dia 7, vai se apresentar ao lado do padrinho de todos os anos do festival, o pianista Cesar Camargo Mariano.
“Eu não vou cantar com a orquestra, vou apenas conduzi-la”, ele esclarece. A atividade de McFerrin como regente é quase tão antiga quanto seu canto, mas menos visível. “Também vou ter a chance de me sentar ao lado de Cesar Camargo Mariano dois dias depois. Já estamos em contato para escolhermos algumas músicas clássicas para tocar. Nada está finalizado ainda”, diz.
Bobby McFerrin talvez seja uma das maiores materializações da ideia que cita a voz como instrumento musical. Ao vê-lo e ouvi-lo, a sensação é de que algo ali não é normal. O timbre não se assemelha a nenhuma outra natureza vocal mais conhecida. As notas que saem de sua boca parecem tocadas, não cantadas, como se o próprio fosse um trompete, um sax, um fagote. Não há comparações. Nem os timbres desses instrumentos podem dar noções mais aproximadas de qual seria o tom daquela cor.
É fascinante observar os seres humanos. Às vezes respondem a estímulos de uma forma, às vezes de outra. O ideal, claro, é que os cantores tenham tanto conexões emocionais quanto capacidades técnicas no mesmo nível. Eu nunca iria querer escolher entre os dois
A obra de Bobby McFerrin é extensa e de picos impressionantes. Depois de se decidir pela música, em 1977, ele lançou o de estreia, em 1982, e então o que seria seu grande orgulho: “The Voice”, de 1984. Quatro anos e quatro discos depois, o álbum que se tornaria sua vergonha: “Don’t Worry, Be Happy”.
A música se tornou seu maior sucesso e, ao mesmo tempo, uma corrente amarrada ao tornozelo. Ele a cantou por anos até chegar à conclusão de que em nada representava seu trabalho. Declarou certa vez que não a cantaria mais, mas alguns shows que se seguiram a essa declaração o fizeram mudar de ideia.
“Essa música foi gravada em um estúdio com sete faixas vocais em camadas sobrepostas. Isso não deveria ser usado para performances ao vivo. Prefiro cantar coisas que as pessoas não tenham ouvido um milhão de vezes!” Questionado sobre as chances de ele cantar “Don’t Worry, Be Happy” no Brasil?”, o cantor responde: “Eu nunca digo não. Mas, provavelmente, não”.


