Morte de vilã de Glória Menezes em Rainha da Sucata quebrou tabu na TV
Em 1990, final trágico de Laurinha (Glória Menezes) marcou a TV brasileira ao abordar um dos maiores tabus da época

O final trágico de Laurinha, vilã da novela Rainha da Sucata (1990) vivida por Glória Menezes, quebrou um dos maiores tabus da televisão brasileira à época e chocou espectadores. A polêmica personagem do folhetim ficou marcada na carreira de mais de 40 novelas da atriz, que faleceu nesta terça-feira (18/8) aos 91 anos.
Quando Laurinha chegou ao ponto mais baixo, sem dinheiro e desprestigiada, personagem de Glória Menezes recorreu a um plano desesperado para se vingar de Maria do Carmo (Regina Duarte): incriminá-la pela morte da vilã.
Em um dos capítulos mais marcantes das novelas da década de 1990, a ricaça armou uma armadilha para a mocinha, a atraindo para o topo de um prédio onde deixou falsas provas de uma briga e se atirou. Esta foi a primeira vez que uma cena de suicídio foi mostrada explicitamente em uma novela.
As gravações da cena polêmica aconteceram na madrugada de 7 de outubro de 1990 no edifício Cetenco Plaza, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), e foram acompanhadas pela imprensa e espectadores curiosos. Cerca de 300 pessoas acompanharam o trabalho dos profissionais da emissora, segundo estimativas das autoridades locais à época.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles EntretenimentoAs filmagens duraram mais de 12 horas e foi preciso recorrer à inventividade do diretor Jorge Fernando para simular a queda. Uma boneca de pano com cabeça de manequim, vestida com o figurino da personagem, foi usada para dar veracidade à cena.
Glória Menezes: ícone da dramaturgia brasileira
Glória Menezes, nome artístico de Nilcedes Soares de Magalhães, morreu nesta terça-feira (18/8) em casa no Rio de Janeiro (RJ) de causas naturais. No próximo dia 19 de outubro, ela comemora o aniversário de 92 anos.
Em 1960, a atriz foi convidada pelo cineasta Anselmo Duarte para integrar o elenco do filme O Pagador de Promessas, lançado em 1962. O longa é o único vencedor brasileiro da Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi o 1º filme do país a ser indicado ao Oscar.
No ano seguinte, protagonizou ao lado de Tarcísio Meira 2-5499 Ocupado, a primeira novela diária da televisão brasileira. Ao longo da carreira, o casal estrelou diversas produções juntos, entre elas Sangue e Areia (1967), Rosa Rebelde (1969), Irmãos Coragem (1970), Espelho Mágico (1977), Guerra dos Sexos (1983) e Torre de Babel (1998).



























