Massacre no Morumbi vira livro escrito pelo assassino: relembre o caso
Mateus Meira decidiu narrar o massacre do Shopping Marumbi, em São Paulo, em um livro

Mateus da Costa Meira (foto em destaque) decidiu narrar o crime que cometeu em um livro, intitulado Dentro da Escuridão: a Vida, a Mente e o Crime de Mateus da Costa Meira. Na época estudante de medicina, ele foi condenado a 120 anos de prisão pelo massacre no Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999.
O assassino, hoje com 51 anos, usa arquivos públicos, laudos periciais, decisões judiciais e reportagens para construir a obra, que narra em terceira pessoa. Segundo o jornalista Ulisses Campbell, da coluna True Crime, ele ainda pondera que a imprensa não compreendeu os motivos dele para cometer o crime.

Relembre o crime
Mateus tinha 24 anos e era estudante da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo quando matou três pessoas e feriu outras quatro durante uma sessão do filme Clube da Luta, no Morumbi Shopping, na zona sul da capital. O crime foi cometido no dia 3 de novembro de 1999.
No dia do crime, ele assistia ao filme com o restante do público. Em certo momento, ele foi ao banheiro, de onde tirou uma submetralhadora de uma sacola.
Ao retornar à sala de cinema, o jovem disparou dezenas de tiros nos demais espectadores. Ele foi dominado por seguranças e levado à delegacia.
O julgamento aconteceu cinco anos depois, em 2004. Meira foi condenado a 120 anos e seis meses de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Três anos depois, a pena foi reduzida para 48 anos e nove meses.
Transferência para a Bahia
O atirador cumpria pena no presídio de Tremembé, no interior paulista, mas foi transferido em fevereiro de 2009 para o presídio Lemos Brito, em Salvador, a pedido da família, que mora na Bahia. Em maio daquele ano, ele foi acusado de tentar matar, com golpes de tesoura, o companheiro de cela, o espanhol Francisco Vidal Lopes.
Dois anos depois, por decisão da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador, após solicitação da defesa e da Promotoria, Mateus foi considerado inimputável. Ou seja, não pode ser considerado responsável pelos próprios atos. A decisão foi baseada em laudo que apontou que ele tinha esquizofrenia.
Em 2019, Meira foi submetido a uma nova bateria de exames médicos e psicológicos que constataram que ele não apresentava alterações no comportamento que indicassem periculosidade. Na época, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) solicitou que os exames fossem refeitos para ter maior certeza dos resultados. Ele deixou a prisão em setembro de 2024, após 25 anos preso.

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