Advogado Max Telesca estreia como autor de ficção em “2038”
Romance se passa em um país onde a corrupção é institucionalizada. Autor autografa o livro nesta terça (23), a partir das 19, na Livraria Cultura do CasaPark
atualizado
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No ano de 2038, um país chamado Lisarb — Brasil ao contrário — alcança o crescimento econômico contínuo, tem um presidente com 90% de aprovação e encontra finalmente seu lugar entre as grandes potências. Sustentando esse progresso, porém, está o sistema de approach, um derivado do lobby que, antes considerado ilegal, passou a ser a regra.
“Com a codificação do approach, toda a sociedade adquiriu o direito de levar vantagem em todos os negócios de seus semelhantes, e as máximas antigas ‘quanto vou levar nisso’ ou ‘o que ganho com isso?’ deixaram de ser hipocritamente vistas de modo pejorativo para se tornarem um modo correto e lícito de ganho” (trecho)
Nesse cenário, o advogado gaúcho Max Telesca ambienta o romance “2038” (Editora Chiaco, 272 págs, R$ 35), que ele autografa nesta terça-feira (23/8), a partir das 19h30, na Livraria Cultura do Shopping CasaPark. É a primeira experiência de Telesca como autor de ficção a chegar ao público — ele tem um outro romance inédito, “Mortes Modernas”, que pretende lançar, “mas precisa passar por alguns ajustes”.
Realidade e imaginação
Nos últimos 20 anos, a vida de Max Telesca gira em torno do direito. Nascido em uma família de advogados, ele formou-se em 1997, na Universidade Federal de Pelotas, e logo se mudou para Brasília. Aqui, especializou-se em tribunais superiores, processo civil e direito penal, ao mesmo tempo em que sobressaía pela atuação política na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Muito do que viveu, viu e ouviu no cotidiano deu ao autor base para escrever “2038”. “Sem dúvida, a realidade brasileira é o ponto de partida para a inspiração do autor. E nessa realidade política a corrupção é o tema central. Daí parte o fio do universo ficcional, que tem sua própria realidade”, afirma Max Telesca.
Admirador de escritores como Dostoiévski, Erico Veríssimo, Guimarães Rosa, Franz Kafka, Aldous Huxley e George Orwell, Telesca admite a influência desses dois últimos na criação do mundo distópico de “2038”. “Até reli as obras de Orwell”, conta.
Sempre tive necessidade de escrever coisas que não fossem jurídicas, sem o linguajar técnico. A arte é o que nos salva na vida, nós temos essa necessidade
Max Telesca, advogado e escritor
Direito e literatura
Envolvido na rotina de pareceres e processos, Telesca conta que o processo de escrita de “2038” foi “extremamente difícil”. “A rotina da advocacia é minha vida, minha profissão. A realidade da advocacia é muito presente, me confundo com ela. É estafante, toma tempo”.
Por conta disso, metade do livro foi escrito em intervalos, momentos de lazer, no meio da noite, em fins de semana e até em viagens de avião. Quando sentiu que o trabalho devia ser concluído, o autor se recolheu por 15 dias em Pirenópolis e finalizou a segunda parte da história.
“2038” já está disponível para venda no site da livraria Cultura e, após o lançamento, poderá ser encontrado também no formato físico.
Lançamento de “2038”, de Max Telesca
Dia 23/8 (terça), a partir das 19h, na Livraria Cultura (CasaPark, Via Epia). Entrada franca.
