Investigação sobre suicídio de atriz coreana é concluída sem respostas

Ja-Yeon Jang cometeu suicídio em 2009. Dez anos depois, a apuração do caso terminou repleta de interrogações

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atualizado 15/05/2019 19:06

Em 18 de março, a investigação policial sobre a morte da atriz sul-coreana Ja-Yeon Jang ganhou novos desdobramentos. Ao longo dos últimos meses, autoridades do país apuraram o caso a fundo, chegando ao fim sem respostas no último 8 de maio. Um relatório foi divulgado cinco dias depois.

A investigação prévia, em 2009, foi concluída com a prisão do agente de Jang, identificado apenas como “Kim”, por agressão, ameaças e por coagir a atriz a servir homens em festas e fazer sexo com eles. Os 31 homens citados na lista da artista foram absolvidos, com apenas 17 deles sendo investigados, e o foco mudou para agências de entretenimento e contratos artísticos.

O time de investigadores expediu mandados nos últimos dias, prendendo um repórter do jornal Chosun Ilbo por assédio sexual de Jang. Ainda investigaram o antigo CEO da TV Chosun, Jung-Oh Bang, e seu tio, Yong-Hoon Bang, que estavam na lista deixada por Ja-Yeon antes de a atriz cometer suicídio.

No entanto, de acordo com o portal Yonhap News, não seria tarefa fácil investigar as suspeitas que pairam sobre o caso – como o fato de Ja-Yeon supostamente ter servido drinques e feito sexo com clientes VIP, bem como o envolvimento de figuras poderosas em crimes sexuais. O comitê encarregado da investigação declarou que foi solicitada mais uma revisão para o relatório final do caso, incluindo a revisão do texto.

De acordo com o programa 8 O’Clock News, do canal SBS, o relatório entregue incluía problemas com investigações passadas sobre o caso e dúvidas sobre se houve pressão externa na investigação de 2009 pelo jornal Chosun Ilbo. O texto ainda questionava se “A Lista de Ja-Yeon Jang” de fato existe.

News1
Membros da Associação Coreana das Mulheres e a Associação Nacional de Conselheiros de Violência Sexual em protesto no dia 23 de janeiro

 

Perguntas sem respostas
Embora a investigação tenha sido encerrada, uma ex-colega de trabalho de Jang, Ji-Oh Yoon, acredita que a morte não tenha sido um suicídio. Isso significaria que a prescrição do crime seria estendida até 25 anos. A atriz, em entrevista, também criticou as autoridades e a mídia coreana por mudar a história.

“(A mídia) divulgou que ela oferecia “favores sexuais como suborno”, mas (nunca confirmaram que essas atividades ocorreram). (Caso tivessem confirmação), a mídia, a polícia e (a instituição conduzindo a acusação) deveria divulgar (a informação). Foi ‘agressão sexual’, não ‘suborno sexual’, e a reputação manchada dela deve ser recuperada. Os danos secundários causados irresponsavelmente pela mídia (à Ja-Yeon Jang) e a mim devem ser remediados”.

Yoon afirma ter presenciado as agressões sexuais vividas por Jang e conta que sabia que a atriz teria escrito o documento no qual ela descreve os abusos que sofreu. “Há cinco pessoas além de Mi-Sook Lee (outra atriz) que sabem o que aconteceu”, afirmou Yoon. Ela acredita que essas pessoas têm mais informações sobre o que aconteceu e ainda pediu que eles participassem na investigação, mesmo de maneira anônima.

Reprodução do Facebook
Ji-Oh Yoon, ex-colega de Ja-Yeon Jang, acredita que os investigadores, a mídia nacional e os promotores de Justiça não fizeram um bom trabalho

 

Sobre o documento escrito por Jang, Yoon afirmou que há nomes de três jornalistas e uma figura política na carta. “Ela (a missiva) passou por análise grafológica e até foi entregue como documento (oficial de investigação) à polícia”, lembra. “No entanto, (o documento) nunca foi revelado à mídia. A palavra ‘ameaça’ é claramente escrita”.

No entanto, a SBS também afirmou que o time encarregado da investigação ainda não tem uma opinião formada sobre Yoon, e que até mesmo em 13 de maio, dia da entrega do relatório, eles tiveram uma discussão intensa sobre a credibilidade do testemunho da atriz e a verdade sobre a existência da lista.

Uma das suspeitas apontadas pelos veículos de mídia é que a lista de Ja-Yeon e outras evidências tenham sido destruídas.

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