Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026Entretenimento

Funks clássicos viram aposta de candidatos na corrida presidencial de 2026

Rap da Felicidade e Rap do Silva, sucessos dos anos 1990, foram incorporados às campanhas de Augusto Cury e Lula

02/09/2026 02:00
Reprodução/PT/modificado com IA
Lula no dia do funk com óculos juliete

A corrida presidencial de 2026 resgata dois clássicos do funk dos anos 1990 para embalar as campanhas eleitorais. O Rap da Felicidade, eternizado por Cidinho & Doca, foi escolhido como base do jingle de Augusto Cury (Avante). Já o Rap do Silva, de MC Bob Rum, entrou na campanha de reeleição do presidente Lula (PT). As escolhas colocam o funk, gênero historicamente associado às periferias e aos grandes centros urbanos, no centro da comunicação dos candidatos.

MC Doca, intérprete oficial de Rap da Felicidade, em 1995, é filiado ao Avante e está ao lado de Augusto Cury. Em entrevista ao Metrópoles, o artista e ativista falou sobre a utilização do funk na disputa política.

Augusto Cury vestindo camiseta com o mote “Eu só quero é ser feliz”, trecho do Rap da Felicidade

“Lá atrás, quando cantei o Rap da Felicidade, a gente estava gritando por algo que a gente queria de verdade. Uma nova esperança. Agora, tenho a oportunidade de estar do lado de um candidato que pode mudar o Brasil. A gente vive em uma sociedade, que de 2018 para cá, foi dividida de uma maneira muito cruel. Nenhum candidato vai ser perfeito ou fazer tudo que precisamos, mas nós queremos paz”, afirmou o MC.

Outro clássico do funk dos anos 1990 também ganhou espaço na corrida presidencial. O cantor MC Bob Rum, músico que eternizou Rap do Silva em 1996, celebrou a presença da música na campanha de reeleição de Lula.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Entretenimento

“É-me dada a graça, imerecida e imensa, de ter minha obra ungindo a travessia do maior dos estadistas que esta Pátria já conheceu. Que toda gente se curve ante esta narrativa e nela encontre o espelho do que fomos, a chama do que somos, o horizonte do que havemos de ser”, apontou o artista.

Por que o funk entrou na disputa?

O uso de músicas conhecidas em campanhas eleitorais não é novidade. Em 2026, porém, a presença de clássicos do funk dos anos 1990 chama atenção por recuperar canções que já carregam forte identificação com determinados públicos e territórios.

O analista Pedro Müller, consultor na Seta Public Affairs e formado em ciências políticas e história pela Universidade da Califórnia, explica que o gênero reúne características que podem ser exploradas na comunicação política.

“O funk oferece algo que outros gêneros populares nem sempre conseguem entregar da mesma maneira: identidade territorial, reconhecimento imediato e capacidade de transformar uma mensagem política em algo repetível. O candidato pega uma melodia conhecida, uma emoção previamente construída e uma música que o eleitor já sabe cantar, alterando apenas o suficiente para inserir seu nome e sua narrativa naquele espaço.”, contextualiza.

A lógica de associar música e eleitorado, no entanto, não se limita ao funk. Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, escolheu o sertanejo para o jingle oficial da campanha, aproximando a comunicação do candidato de um gênero fortemente ligado ao interior e ao agronegócio. Nas redes sociais, porém, o funk também apareceu na estratégia: no início da campanha, Flávio divulgou um jingle autoral no ritmo do gênero, acompanhado de coreografia e linguagem voltadas ao público jovem.

A combinação de gêneros ajuda a ilustrar como a música pode ser usada para alcançar diferentes parcelas do eleitorado. Para Pedro Müller, a escolha entre sertanejo e funk também carrega uma dimensão regional. Embora o sertanejo tenha forte presença em todo o país, o funk estabelece uma conexão particularmente relevante com os grandes centros urbanos do Sudeste.

“Embora o sertanejo seja o gênero mais ouvido do país, ainda carrega uma iconografia fortemente regional, ligada sobretudo ao interior e ao Centro-Oeste. O funk, por sua vez, conecta o candidato diretamente ao Sudeste, especialmente aos grandes centros urbanos, onde se concentra a maior parcela da população brasileira e uma parte central da produção cultural e simbólica do país. Muito provavelmente, como em 2022, o Sudeste vai decidir a eleição desse ano”, afirma o analista político.