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Feito Pipa enfrenta desafios para chegar à cerimônia do Oscar 2027; entenda

Especialistas ouvidos pelo <b>Metrópoles</b> apontam pontos fortes e principais desafios do filme na corrida pela indicação ao Oscar 2027

20/09/2026 02:00
Divulgação
Imagem colorida de divulgação do filme Feito Pipa - Metrópoles

Destaque nos Festivais de Cinema de Berlim e Gramado, Feito Pipa foi escolhido como o representante do Brasil para o Oscar de 2027. Estrelado por Yuri Gomes, Lázaro Ramos e Teca Pereira, o filme aborda as relações familiares sob o olhar de um jovem que atravessa as transformações da infância, entre laços afetivos, luto e a temática LGBTQIA+.

Com uma história diferente da dos dois últimos filmes brasileiros indicados ao Oscar, Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), Feito Pipa enfrenta desafios adicionais na corrida por uma vaga na cerimônia principal do Oscar de 2027, segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles.

Para os especialistas, o cenário mais provável neste momento é que o filme chegue à pré-seleção de 15 produções da categoria de Melhor Filme Internacional, conhecida como shortlist. Para avançar à lista final de cinco indicados, o longa precisa acelerar a campanha internacional, fechar uma distribuição nos Estados Unidos, conquistar apoio de nomes influentes da indústria e enfrentar a concorrência de produções que ganharam destaque nos festivais de Cannes e Veneza.

Feito Pipa enfrenta desafios para chegar à cerimônia do Oscar 2027; entenda - destaque galeria
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A produção foi o Longa-metragem mais premiado da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado
Criado de maneira livre e afetuosa, ele se vê diante de um grande desafio quando precisa lidar com a possibilidade de deixar a vida ao lado da avó para morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos)
Feito Pipa foi escolhido pela Academia de Cinema Brasileira como representante para o Oscar 2027
Imagem do filme Feito Pipa, estrelado Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira
O filme Narra a história de Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol e dança que vive com a avó Dilma (Teca Pereira) no sertão cearense
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O filme Narra a história de Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol e dança que vive com a avó Dilma (Teca Pereira) no sertão cearense

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A produção foi o Longa-metragem mais premiado da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado
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A produção foi o Longa-metragem mais premiado da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado

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Criado de maneira livre e afetuosa, ele se vê diante de um grande desafio quando precisa lidar com a possibilidade de deixar a vida ao lado da avó para morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos)
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Criado de maneira livre e afetuosa, ele se vê diante de um grande desafio quando precisa lidar com a possibilidade de deixar a vida ao lado da avó para morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos)

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Feito Pipa foi escolhido pela Academia de Cinema Brasileira como representante para o Oscar 2027
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Feito Pipa foi escolhido pela Academia de Cinema Brasileira como representante para o Oscar 2027

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Imagem do filme Feito Pipa, estrelado Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira
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Imagem do filme Feito Pipa, estrelado Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira

Jamille Queiroz/Divulgação

Quais são os pontos fortes de Feito Pipa?

Para a crítica de cinema Isabella Faria, um dos pontos fortes de Feito Pipa é o apelo emocional e a possibilidade dada pela história de atravessar fronteiras sem depender de contexto histórico ou político prévio. Como tem o foco na infância, nas relações familiares e as temáticas LGBTQIA+, o longa constrói uma narrativa de amadurecimento que ressoa em qualquer cultura.

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“O principal ponto forte é que se trata de uma história muito universal. Pessoas de fora do Brasil conseguem se relacionar com a dinâmica do garoto com a avó, o amadurecimento, o ambiente familiar, o luto e a pauta LGBTQIA+. O filme traz uma ambientação muito específica em Quixadá, partindo de memórias do diretor, mas é universal ao mesmo tempo em que é culturalmente brasileiro”, destaca.

Já Pedro Butcher, professor do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM, destaca o carisma do elenco e avalia que o filme pode se beneficiar do momento favorável do cinema brasileiro no exterior, impulsionado por Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.

“O ponto a favor é a boa onda gerada por dois anos consecutivos de campanhas bem-sucedidas no exterior. A Academia e os votantes estão mais atentos à produção brasileira, e o engajamento do público nas redes sociais ajuda a manter o país no radar”, pondera.

Fernanda Torres e Wagner Moura

E os pontos de alerta para o filme?

Por outro lado, os especialistas alertam para dois desafios importantes no caminho de Feito Pipa: a estreia no Festival de Berlim e a ausência de uma distribuidora americana. Enquanto festivais como Cannes e Veneza ocorrem no segundo semestre, logo, mais perto da votação do Oscar, a estreia de Feito Pipa em Berlim, ocorrida em fevereiro, exige um esforço extra para manter o título vivo na memória dos votantes.

“Berlim é um festival de grande prestígio, mas acontece muito distante do Oscar. Cannes e Veneza costumam ser a vitrine principal dos filmes que ganham tração internacional para a temporada de prêmios”, explica Pedro.

Além do desafio do calendário, a falta de um parceiro comercial no mercado norte-americano é apontada como a principal urgência do longa. Como a shortlist do Oscar normalmente é divulgada em meados de dezembro, a equipe do filme teria três meses para fazer o filme circular e ser reconhecido nos EUA.

 “Não adianta nada estar no radar se não tiver uma distribuidora para mostrar pros americanos que sim, estamos tentando um terceiro ano consecutivo. É aí que tá o segredo”, frisa Isabella.

A especialista destaca ainda que, sem o suporte de uma distribuidora em Los Angeles, a equipe precisa também captar recursos de forma autônoma para custear a logística cara de uma campanha internacional, que inclui exibições privadas, viagens da equipe e anúncios na imprensa especializada.

“A prioridade máxima é garantir a estrutura americana de campanha por meio de uma distribuidora ou parceiro que tenha capacidade de trabalhar no mercado de Los Angeles. E colocar a trajetória de festivais (Berlim, Guadalajara, Gramado) em destaque para trazer esse reconhecimento internacional”, complementa Isabella .

Já Pedro ressalta também que o caminho para furar o bloqueio comercial envolve tanto investimento financeiro direto quanto articulação política dentro da própria indústria de cinema.

“A prioridade da equipe é conseguir recursos para viajar, promover sessões e pagar anúncios na Variety e nas revistas especializadas, porque tudo isso faz diferença. O principal movimento agora seria conseguir os tais padrinhos e madrinhas — pessoas de influência como o próprio Walter Salles e o Kleber Mendonça Filho, que podem ajudar a fazer o filme ficar mais conhecido”, conclui Pedro.