*
 

Nascido no Núcleo Bandeirante, o artista plástico Josafá Neves é muito versátil: faz gravura, óleo sobre tela, cerâmicas esmaltadas, azulejos, estamparia, instalações. Todas essas facetas do brasiliense poderão ser vistas, até 3 de fevereiro, na Ker Gallery, em Miami, na exposição Visceral Art. Esta é a primeira incursão do artista na Flórida, mas não é sua única mostra em cartaz. Ele também está exposto na Caixa Cultural de São Paulo.

“A proposta é pesada. O tema da desumanização do negro, por exemplo, abordo para falarmos sobre a situação do nosso país. Não somos a continuação de Portugal, fomos colonizados, nossa base toda é escravocrata. As pessoas não conhecem a história de nosso país, a televisão só manipula e desinforma. É mais fácil culpar alguém pelas nossas derrotas do que assumir e discutir as questões raciais e de gênero”, lamenta Josafá.

A arte do brasiliense é, como ele mesmo define, “política e preta”. Expondo nos Estados Unidos, onde a produção cultural afrodescendente é cada dia mais assertiva em relação aos direitos civis, ele se sente incluído. “Vejo estamos vivendo uma nova era. Temos o Trump, o Macron, e agora Bolsonaro. Eu não sei o que é isso, mas para a arte, para se manifestar, é bom. Sem cultura, sem linguagem, sem música, você não é ninguém. A arte vem em primeiro lugar, o resto é entretenimento”, define.

O artista vai inaugurar a exposição em Miami neste sábado (3/11) e ficará na Flórida por mais uma semana. Em seguida, voltará ao Brasil, para ministrar oficinas de arte para crianças na Caixa Cultural de São Paulo. Com novas exposições em vista no exterior, o próximo plano de Josafá em Brasília ainda leva um ano, mas promete. “Vou preparar a exposição dos meus orixás para novembro de 2019 no Museu Nacional. É um projeto do Fundo de Apoio à Cultura, e vou me concentrar nisso no próximo ano”, planeja.