Metrópoles Fashion & Design começa com celebração da moda e cultura brasiliense. Veja fotos
Até sexta, o Metrópoles Fashion & Design reúne marcas autorais, brechós e criadores independentes, além de apresentar shows e exposições

O Museu Nacional da República abriu as portas para a quarta edição do Metrópoles Fashion & Design 2026 nesta quarta-feira (10/6). Unindo moda, arte, música e design, um dos prédios mais icônicos da capital federal se transforma em um polo de efervescência cultural até sexta-feira (12/6).
Idealizado e realizado pela colunista do Metrópoles Ilca Maria Estevão, o evento reúne mais de 40 representantes da moda brasiliense, entre marcas autorais, brechós e criadores independentes. Ao longo dos três dias, cinco exposições de artistas do Distrito Federal também integram a programação.
O interior do museu foi transformado em uma grande vitrine criativa. Em meio às curvas projetadas por Oscar Niemeyer, araras, peças artesanais e coleções exclusivas ocupam os espaços expositivos. Entre os participantes da edição está a Tela Ambulante, criada por Victor Soulivier.

A marca, criada por ele com a mãe durante a pandemia de Covid-19, hoje é um coletivo nacional. “É muito louco entender a magnitude de estar aqui. Hoje tenho clientes de 1 ano a senhoras que estão com seus 80, 90 anos. É muito gratificante ver esse trabalho sendo massificado”, avalia.
Artista plástico, Soulivier pontua que a mãe, que é costureira, é uma das grandes inspirações dele. “Eu uso muito todas essas referências da minha infância e da minha bagagem cultural para construir esse universo que apresento nas peças”, completa.
Entre os designers que participam desta edição está Alexandre Freitas. O artista utiliza materiais orgânicos como ráfia, couro de peixe pirarucu e folhas de alocasia em suas criações. Segundo ele, a aplicação desses elementos exige um estudo prévio para que possam ser incorporados de forma adequada às bolsas desenvolvidas pela marca.
“Meu olhar como designer vinha fazendo bastante testes com esse material”, explica. “Muitos designers usam em estofado e mobília, então eu achei interessante, depois de muito teste, aplicar em uma bolsa.”

Arte para todo lado
A movimentação dentro do museu se estendeu para a área externa, que recebeu uma programação diversificada com música ao vivo, apresentações de dança e food trucks, ampliando a experiência dos visitantes. Na noite de abertura, passaram pelo palco Ketlen, DJ CXXJU, DJ A + BWAYNE, Confronto Sound System, Umiranda e a Companhia Mutum.
Conhecido na cena cultural, Umiranda celebrou a oportunidade de conectar pessoas por meio da música em um espaço fashion. Além disso, destaca a criatividade como uma das marcas da capital que o acolheu.
“Brasília tem uma força, mostra que é Brasília, que é autoral, que tem muitas coisas que acontecem, são fabricadas e feitas aqui. Brasília gosta de mostrar que tem a própria cara e não imita.”
Para o coreógrafo Kaled Hassan, dança, arte e moda estão conectadas a partir de um movimento sobre identidade e expressão que ganha espaço em eventos como o Metrópoles Fashion & Design. O integrante da Mutum destaca também a diversidade de público como um ponto que impulsiona o trabalho do grupo e cria uma troca de conexões.
“A gente busca sempre esse local, não só do estético visual, mas do estético de energia, de identidade, de reconhecimento. Porque além de estarmos trabalhando juntos, somos amigos, colegas, então a gente acaba se divertindo também. Gostamos de compartilhar isso, de que o palco também é esse local de brincadeira, que as pessoas também podem interagir com esse momento, que é um troca.”
Kaled Hassan

Quem visitou o evento também pôde renovar peças do próprio guarda-roupa por meio da customização gratuita de roupas assinada pelo grafiteiro Mikael Omik. O público ainda teve acesso a um open bar gratuito.
Para prestigiar a noite de moda, arte e música, marcaram presença Felipe Ramón, subsecretário do Patrimônio Cultural do Distrito Federal, e Ruth Venceremos (PT), primeira suplente de deputada federal.
Competição criativa
A primeira noite do MFD 2026 destacou a criatividade do Distrito Federal com a realização do Desafio de Upcycling. A competição premia a criação de peças que combinam técnicas manuais, sustentabilidade e inovação.
O grande vencedor foi Luyd, criador brasiliense de 25 anos à frente da marca homônima. Com um processo inteiramente autoral, o estilista apresentou uma criação que carrega a marca registrada, a transformação de tecidos descartados em peças de alto valor estético.
O segundo lugar ficou com Ana Luiza Olivete e Romilda Gomes Moreira, que conquistaram os jurados com uma criação que une sustentabilidade e afeto. Romildo Nascimento garantiu a terceira colocação com uma jaqueta produzida a partir de retalhos.






























