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Cinema

Toy Story 5: na vida real, pais travam batalha contra o uso de telas

Toy Story 5, que completa a franquia da Pixar, mostra a luta dos brinquedos tradicionais contra as telas. A disputa reflete na vida real

21/06/2026 02:00
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Bonnie ganha mais destaque que os outros humanos da franquia

“Quando tirei as telas, ele teve uma crise de abstinência, ficou extremamente irritado e passou dias sem falar comigo”, conta Rachel Alves, mãe de Noah, de 13 anos. A bancária é apenas um exemplo do potencial do uso de aparelhos digitais, que se tornaram o principal concorrente dos brinquedos tradicionais e inimigo dos pais na criação de crianças e adolescentes.

A disputa entre tecnologia e os brinquedos mais convencionais voltou aos holofotes nesta semana com o lançamento de Toy Story 5, novo capítulo da franquia de sucesso da Pixar, que aborda justamente o espaço dos brinquedos em um mundo dominado pelas telas.

A história acompanha Bonnie, agora com 8 anos e interessada em Lilypad, um tablet inteligente em formato de sapo que conquista a atenção dela e muda a forma como ela brinca. O grupo percebe que não está apenas disputando espaço com outro brinquedo, mas tentando entender como continuar importante em um mundo cada vez mais digital.
Toy Story 5: na vida real, pais travam batalha contra o uso de telas - destaque galeria
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Em Toy Story 5, Jessie assume papel de "xerife" dos brinquedos de Bonnie, nova humana da turma
Woody e Buzz Lightyear dão espaço para Jessie conquistar protagonismo na trama
Em Toy Story 5, Jessie assume papel de "xerife" dos brinquedos de Bonnie, nova humana da turma
Bonnie ganha mais destaque que os outros humanos da franquia
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Bonnie ganha mais destaque que os outros humanos da franquia

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Em Toy Story 5, Jessie assume papel de "xerife" dos brinquedos de Bonnie, nova humana da turma
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Em Toy Story 5, Jessie assume papel de "xerife" dos brinquedos de Bonnie, nova humana da turma

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Woody e Buzz Lightyear dão espaço para Jessie conquistar protagonismo na trama
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Woody e Buzz Lightyear dão espaço para Jessie conquistar protagonismo na trama

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Em Toy Story 5, Jessie assume papel de "xerife" dos brinquedos de Bonnie, nova humana da turma
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Em Toy Story 5, Jessie assume papel de "xerife" dos brinquedos de Bonnie, nova humana da turma

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Quando a ficção vira realidade

O filme de animação reflete dados reais: uma pesquisa feita pelo Projeto Brief, no final do ano passado, mostra que 77% das crianças e adolescentes já têm celular próprio, e 73% possuem ao menos uma rede social ativa. Entre adolescentes de 13 a 18 anos, o índice sobe para 91%.

Remando contra a maré, pais reconhecem o perigo do uso das telas e tentam limitar o acesso de seus filhos aos aparelhos digitais. Danuta Ferreira, mãe de Kael, de 6 anos, e Luna, de 2, criou mecanismos para impedir que as crianças vejam nas telas a única forma de diversão.

Danuta e Kael, personagens da matéria sobre Toy Story 5 - Metrópoles
Danuta e Kael
“Hoje temos a sexta do filme em família; todo mundo precisa parar e ver um filme. O Kael já pede para ter um celular para jogar. Mas para evitar o consumo indevido, a gente geralmente inventa muitos programas com eles aos finais de semana. Principalmente programas culturais e ao ar livre”, diz ela ao Metrópoles.

Já Rachel precisou recorrer a aplicativos para controlar o tempo de tela de Noah. Ela conta que o filho passou a ficar agressivo e reativo, fato que se deu, principalmente, pelos aparelhos digitais.

“[O maior desafio é] controlar a ansiedade dele e a insistência em solicitar o desbloqueio das telas. Muitas vezes, a gente quer se livrar da responsabilidade de estar de olho o tempo todo no que os filhos estão fazendo e, sem telas, é muito mais difícil fazer esse controle”, garante.

Danuta, por sua vez, garante que também enfrenta resistência do filho, mas ensina a criança a encontrar formas mais divertidas de passar o seu tempo:

“Volta e meia é mãe chata, pai chato. E a gente responde com a típica frase: ‘Você não é igual todo mundo’. Tentamos explicar que preferimos que ele use o tempo livre para treinar (como a gente treina e eu levo ele para o box de Crossfit desde pequeno, ele vai conosco e fica na brinquedoteca ‘treinando’), para ler (esse ano fizemos o clube Leiturinha para ele e ele ama), estudar, brincar”.

Rachel e Noah, personagens da matéria sobre Toy Story 5 - Metrópoles
Rachel e Noah

O malefício das telas

Priscilla Montes, especialista em neuroeducação e desenvolvimento infantil, afirma que o tempo de exposição excessivo às telas pode causar “prejuízos no desenvolvimento da linguagem, dificuldades de atenção, maior impulsividade, alterações no sono e menos oportunidades para a construção das competências socioemocionais”. “A linguagem é uma das primeiras afetadas, porque conversar exige troca, espera, interpretação de expressões faciais e construção conjunta do pensamento”, inicia.

“Também podem ser prejudicadas as funções executivas, como atenção, controle dos impulsos, planejamento e flexibilidade cognitiva. Além disso, diminuem as oportunidades de desenvolver empatia, tolerância à frustração, criatividade, resolução de conflitos e capacidade de brincar de forma simbólica, competências fundamentais para a vida escolar e para os relacionamentos futuros”, explica.

Apesar dos desafios em torno do assunto, a especialista garante que é possível manter as crianças afastadas da tecnologia, mas pontua: “Na prática, o objetivo não deve ser formar crianças afastadas da tecnologia, mas crianças que desenvolvam recursos emocionais, cognitivos e sociais suficientes para utilizá-la de forma saudável quando chegar o momento”.