*
 

A cineasta e diretora teatral Daniela Thomas tem mais de 30 anos de carreira e diversos filmes no currículo, mas nunca havia assinado uma direção solo de longa-metragem. Revelada no cenário nacional pela parceria com o diretor Walter Salles, ela comanda “Vazante”, segundo filme da mostra competitiva do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Digamos que a participação da noite de sábado (16/9) no festival pode ser considerada uma espécie de estreia para a diretora carioca. Drama de época dirigido por ela, “Vazante” será exibido às 21h, no Cine Brasília.

A história se concentra numa fazenda do interior de Minas Gerais no século 19 durante o fim do ciclo do ouro. Decadência é a chave para entender a trama da película fotografada em preto e branco pelo chileno Inti Briones. Antonio, fazendeiro e negociante de escravos, descobre que sua esposa morreu durante o parto do filho casal.

“Eu quis imaginar uma história que me permitisse viajar para a vida naquele momento, naquele encontro de pessoas desenraizadas, forçadas a conviver por circunstâncias absurdas, de uma violência surda e diária. E achava que ainda não tínhamos no cinema brasileiro uma imagem dessa época que fizesse jus ao que hoje a historiografia brasileira sabe sobre esse período”, explica a roteirista e diretora.

Um segundo casamento é arranjado entre ele e uma menina de 12 anos que ainda não pode gerar herdeiros. As constantes viagens do marido deixam Beatriz livre para passar os dias em companhia dos escravos da propriedade. Como se nota, a trama entrecruza temas como escravidão e opressão da mulher:

Quando eu filmei ‘Vazante’, o momento político do Brasil era diferente. Parecia que havia passado mesmo muito tempo desde o início do século 19. De repente, fomos atropelados por um refluxo obscurantista inacreditável"
Daniela Thomas

A estreia de “Vazante” foi no Festival de Berlim de 2017.

Outra atrações do dia:
Curta-metragem
“Peripatético”
Três jovens da periferia de São Paulo vivem intensamente a mudança da adolescência para a vida adulta até um evento nas ruas da maior cidade da América Latina mudar a trajetória de todos eles. A diretora Jéssica Queiroz é responsável pela feitura do curtas-metragens sobre a vida da escritora Maria Carolina de Jesus em “Vidas de Maria” e sobre a invisibilização das mulheres negras na arte em “Adelia e Carolina”.

Mostra Competitiva 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Exibição do longa-metragem “Vazante”, de Daniela Thomas e do curta-metragem, “Peripatético”, de Jéssica Queiroz.  Às 21h, no Cine Brasília. Ingressos: R$ 12 e R$ 6 (meia). Classificação indicativa 14 anos.

Sessões simultâneas, às 21h, no Teatro da Praça (Taguatinga) Espaço Semente (Setor Central – Gama), Teatro de Sobradinho  e Riacho Fundo (em frente à Administração).  Entrada franca

 

 

COMENTE

Vazantefestival de brasília 2017Festival 50
comunicar erro à redação

Leia mais: Cinema