Papa Leão XIV cita frase de O Senhor dos Anéis em 1ª carta aos fiéis
Primeira encíclica papal de Leão XIV traz citação de Gandalf, da saga escrita por J. R. R. Tolkien, em texto sobre a dignidade humana
atualizado
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O Papa Leão XIV apresentou nesta segunda-feira (25/5) a primeira encíclica – uma espécie de carta de orientação para sacerdotes e fiéis da Igreja Católica – do pontificado. No documento, que aborda a dignidade humana e o avanço das Inteligências Artificiais (IA), o sumo sacerdote traz uma citação do personagem Gandalf, da saga O Senhor dos Anéis.
Intitulado Magnifica Humanitas (Magnífica Humanidade, em latim), o documento usa a frase escrita por J. R. R. Tolkien para refletir sobre os perigos da Inteligência Artificial (IA) para a humanidade.
“John Ronald Reuel Tolkien, um escritor católico do século XX, através das palavras de um protagonista de um dos seus romances, descreveu assim a nossa responsabilidade: ‘Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que nos for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal nos campos que conhecemos para que quem viver depois possa ter terra limpa para amanhar'”, cita o Papa.
Além do escritor britânico, reconhecido como um dos mais importantes autores da fantasia, a carta papal também cita os pensadores da Igreja Santo Agostinho e São Tomás de Aquino e o filósofo grego Platão.
Papa Leão XIV faz alerta sobre a IA em carta aos fiéis
Na encíclica, o Papa Leão XIV discorre que a Igreja Católica entende que o avanço das inteligências artificiais não deva ser combatido, mas que os governos e as empresas privadas devem “adotar instrumentos normativos adequados” para “conter os efeitos nocivos do poder tecnológico”.
“Hoje, pelo contrário, os principais motores do desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos governos. O poder tecnológico assume, destarte, uma identidade inédita, predominantemente ‘privada’ e, portanto, ainda mais difícil de discernir, gerir e orientar para o bem comum.”
O texto também traz um apelo para conter a criação de armas e demais sistemas militares que substituam a ação do ser humano que, ao contrário dos “agentes artificiais”, pode fazer “a distinção entre o bem e o mal”.
“A Santa Sé observou recentemente que a crescente facilidade com que os sistemas de armas com autonomia operativa podem ser utilizados torna a guerra mais ‘viável’ e menos sujeita ao controle humano, contrariando o princípio de que o recurso à força armada deve ocorrer como última alternativa em caso de legítima defesa”, escreveu Leão XIV.
















