“New Life S.A. é sobre a farsa do progresso”, diz André Carvalheira

Diretor brasiliense do longa New Life S.A defendeu o emprego do surrealismo na produção

atualizado 17/09/2018 12:35

Divulgação

Parte da equipe do filme brasiliense New Life S.A. se reuniu, na manhã desta segunda-feira (17/9), para debater a produção exibida no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A sessão ocorreu nesse domingo (16/9).

Dirigido por André Carvalheira, a obra retrata como a especulação imobiliária potencializa as desigualdades social. De acordo com o cineasta, utilizar o surrealismo para contar essa história foi uma escolha natural.

“Tentamos falar sobre a farsa do progresso, esse progresso de vitrine que tentam nos empurrar”, explica Carvalheira.

Um dos esquetes do filme que chamou mais a atenção da plateia do Cine Brasília (106/107 Sul) também foi lembrado. “A ideia de ter um grupo de atores vivendo dentro de uma vitrine viva, parece surreal, mas existe. Porque a realidade é muito mais surreal do que qualquer roteiro. Nós soubemos de um empreendimento em Goiânia que colocou uma família vivendo dentro de uma caixa de vidro em um shopping”, contou Maíra Carvalho.

É um filme esquisitão mesmo, e a gente sabia que estava fazendo isso. Nós nos arriscamos

Maíra Carvalho

Questionado sobre cenas que podem ser consideradas incentivo à violência, Carvalheira ressalta que a ideia foi usar o sarcasmo e dar um tom de ridículo a algumas situações.

“O momento é tão complicado que está difícil diferenciar o que é surreal, do que é real e o que é ridículo. Um dos personagens políticos que temos aí é surreal e ridículo, e muitas vezes é levado a sério”, ressaltou o cineasta.

“Nós estamos numa radicalização tão absurda, que é realmente assustador como o que era para ser um jogo de paintball pode ter uma interpretação de violência”, afirmou Murilo Grossi. “Está tão colada a realidade do absurdo, que muitas cenas do filme que eram para chocar, passaram batidas”, completa.

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