Historiadora cancelada por criticar Beyoncé se pronuncia: “Errei e admito”

Apesar de afirmar não ser autora dos principais trechos que viralizaram na web, historiadora admitiu admitiu erros

atualizado 04/08/2020 15:09

Beyonce Black Is KingReprodução

A historiadora Lilia Schwarcz usou as redes sociais, nesta terça-feira (4/8), para prestar esclarecimentos após ser cancelada na web por comentários em artigo, publicado no jornal Folha de S. Paulo, sobre o novo trabalho audiovisual de Beyoncé, Black is King.

“Passei as última 48 horas praticando a escuta. Conversei com pessoas amigas e críticas, e rascunhei essa mensagem inúmeras vezes. Não deveria ter aceito o convite da Folha, a despeito de apreciar muito o trabalho de Beyoncé; seria melhor uma analista ou um analista negro estudiosos dos temas e questões que a cantora e o filme abordam”, disse a estudiosa.

 

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Uma publicação compartilhada por Lilia Moritz Schwarcz (@liliaschwarcz) em

No texto publicado no Instagram, Lilia afirmou ainda que deveria ter passado o artigo para colegas opinarem antes da publicação e que “não ter dúvidas é um ato de soberba”. Ela completou dizendo que se arrepende de ter escrito, de forma irônica, um trecho do final do texto: “É melhor dizer, com respeito, do que insinuar”.

“Apesar da minha carreira na área, não se está imune à dimensão do racismo estrutural e da branquitude. Errei e peço desculpas aos feminismos negros e aos movimentos negros com os quais desenvolvi, julgo eu, uma relação como aliada da causa antirracista. Assumo a minha responsabilidade pelo artigo e não pretendo vencer qualquer discussão”, continuou.

Por fim, a autora do artigo pediu para que a jornal também se pronunciasse. “Penso que a Folha de S Paulo deveria assumir sua responsabilidade, também, pois é de sua editoria o título e o subtítulo que não usam minhas palavras. Não falo em ‘erro’, tampouco que Beyoncé ‘precisa entender’ ou que usa ‘artifício holliwodyanno’ no meu artigo”, encerrou.

Entenda

Lilia Schwarcz, que é uma das principais historiadoras do movimento negro brasileiro, escreveu, na Folha de S. Paulo o seguinte artigo: “Filme de Beyoncé erra ao glamorizar negritude com estampa de oncinha”.

A reação ao texto da historiadora, que, apesar do interesse acadêmico no tema, é uma mulher branca, foi devastadora. De anônimos a famosos, ela sofreu diversas críticas e entrou na lista de “cancelados” das redes sociais.

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