Games no cinema: cinco tristes desastres, três adaptações subestimadas
Com a chegada de “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” relembramos fracassos e acertos na indústria de filmes baseados em games
atualizado
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Enquanto as adaptações de quadrinhos de super-heróis arrecadam bilhões e agradam aos fãs, a indústria de versões de videogames continua em descrédito. Em 2016, já chegaram às telas os vacilantes “Heróis da Galáxia – Ratchet e Clank”, “Angry Birds” e “Warcraft“. “Assassin’s Creed” só estreia em 5 de janeiro de 2017, mas já gera desconfiança.
Quem gosta de joguinhos conhece bem o histórico maldito que assombra o relacionamento entre cinema e games. O casamento tinha tudo para dar certo: começou com o título mais popular de todos os tempos, em “Super Mario Bros.” (1993). Desde então, é um fracasso após o outro – de crítica e público.
Se o Íbis é o pior time de futebol do mundo, o alemão Uwe Boll se esforça para ser o equivalente do clube no cinema. Uma pequena parte da tensa relação entre filmes e games se deve às mui odiadas adaptações assinadas por ele, como “House of the Dead” (2005), “Alone in the Dark” (2005), “Postal” (2007) e “Em Nome do Rei” (2007). Todos games de popularidade moderada, é verdade.
No mais, Hollywood foi incapaz de traduzir os adorados “Lara Croft”, “Street Fighter” e “Doom” em produtos no mínimo decentes. Ainda assim, acredite: há versões de games que deram certo. Veja na lista abaixo um histórico de cinco desastres – note, sem envolvimento de Boll – e três filmes que merecem uma segunda chance:
GAME OVER: cinco adaptações desastrosas

“Street Fighter” (1994)
Com um estranho tom militar, o filme tomou distância do game e irritou críticos e fãs. A popularidade de Jean-Claude Van Damme (no papel de Guile) ajudou na bilheteria, mas a má fama persiste. Salvam-se Raul Julia como o icônico Bison e as aparições da cantora Kylie Minogue na pele de Cammy. “Mortal Kombat”, um ano depois, saiu-se um pouco melhor.

“Lara Croft – Tomb Raider” (2001)
Diante dos ótimos games lançados em 2013 e 2015, a estreia da heroína no cinema soa cada vez menos triunfal. Boa atriz, Angelina Jolie fez o que pôde, enquanto o diretor Simon West derrapou feio nas cenas de ação. O projeto melhora levemente na sequência, “A Origem da Vida” (2003). Mas a bilheteria ruim enterrou a possibilidade de futuras continuações.

“Doom – A Porta do Inferno” (2005)
Nem o carisma de Dwayne Johnson, o The Rock, evitou a péssima arrecadação – US$ 56 milhões diante de um orçamento de US$ 60 milhões. O filme até tenta simular a jogabilidade em primeira pessoa, com pontos de vista capturando armas em punho e monstros logo adiante. No mais, a falta de originalidade e o visual genérico de terror espacial emperram a diversão.

“Hitman – Assassino 47” (2007)
Eis um breve conto sobre girar em círculos. O assassino sem nome estreou em 2007, num filme facilmente esquecível e de sucesso moderado – US$ 99 milhões de um orçamento de US$ 24 milhões. Sem muita história para contar, o personagem retornou em “Hitman – Agente 47” (2015), produto indeciso entre remake e releitura. Tanto faz.

“Max Payne” (2008)
No papel, parece legal: um detetive vira Nova York de cabeça para baixo em busca de vingança pela morte de mulher e filho. As firulas visuais e a apatia de Mark Wahlberg não conseguem transferir o clima noir do jogo para a telona. Em tempo, vale um lembrete aleatório: a cantora Nelly Furtado em rara ponta no cinema, na pele da esposa do parceiro de Max.
TENTE OUTRA VEZ: três filmes que merecem nova chance

“Terror em Silent Hill” (2006)
A adorada série de games da Konami recebe um tratamento visual caprichado, com atmosfera que mistura sonho, memória e fantasia em sequências chocantes. Pena que poucos deram bola para essas qualidades. A franquia descarrilou mesmo na sequência “Revelação” (2012), com Kit Harington (o Jon Snow de “Game of Thrones”).

“Resident Evil 5 – Retribuição” (2012)
O maior desafio de uma adaptação de game é verter a jogabilidade e interatividade em uma narrativa que faça sentido num universo fechado, numa tela de cinema. Em seu terceiro filme na franquia, o inglês Paul W.S. Anderson consegue alcançar exatamente isso, desde a espetacular sequência de abertura. Ele repete a parceria com a esposa Milla Jovovich em “The Final Chapter”, previsto para 2 de fevereiro de 2017.

“Need for Speed – O Filme” (2014)
Não se deixe enganar pela traminha de vingança ou por comparações com a franquia “Velozes e Furiosos”. Experiente dublê de ação, o cineasta Scott Waugh aproveita a estrutura livre dos jogos e dirige um filme de impactante energia física, recusando efeitos digitais excessivos. Carros e homens em alta velocidade formam um balé de capotagens, freadas e arranques.
