Festival de Brasília: saiba como será a 52ª edição do evento

Nesta sexta-feira (22/11/2019), começa um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil

Igo Estrela/ Metrópoles

atualizado 22/11/2019 8:16

Em Brasília, a chuva voltou a cair nos últimos dias, anunciando o fim do período de estiagem pelo qual passa a capital do Brasil todos os anos. É debaixo dessa água que o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro volta a ser realizado no mês de novembro, trazendo uma seleção de 21 filmes nacionais que concorrem a prêmios em dinheiro e o troféu Candango. Longas e pilotos de séries de TV serão exibidos em seis mostras paralelas não-competitivas.

A 52º edição do festival de cinema mais antigo do país em atividade será mais enxuta que nos anos anteriores, apresentando apenas sete longas-metragens e 14 curtas-metragens durante 10 dias de exibições no Cine Brasília, além de reprises no dia seguinte, em diversas regiões administrativas do Distrito Federal. Confira a programação completa aqui.

O Traidor, de Marco Bellochio, abre o Festival de Brasília em sessão fechada para convidados esta noite no Cine Brasília. A co-produção entre Brasil, Itália, França e Alemanha tem no elenco atores italianos e brasileiros e centra a narrativa em um dos chefes da máfia italiana Cosa Nostra que precisa se refugiar no Brasil para não ser assassinado. Bellochio é um dos mais proeminentes cineastas italianos contemporâneos e já foi premiado em Berlim e Veneza.

Longas e curtas em destaque

A mostra deste ano está mais enxuta também quando se analisa os títulos selecionados para o embate. Entre os longas-metragens, apenas o diretor pernambucano Cláudio Assis é um veterano da competição. O autor de Pernambuco já levou os prêmios de melhor filme em três ocasiões: Amarelo Manga (2002) , Baixio das Bestas (2006) e Big Jato (2015).

Polêmico, bem ao gosto da tradição do Festival de Brasília, Assis já é favorito a ganhar os principais prêmios do embate e desde já é o preferido também a tecer as principais críticas ao cenário político e social brasileiro. Piedade, novo filme do diretor, tem a atriz Fernanda Montenegro encabeçando o elenco principal e narra os desenlaces que revelam o passado de uma dona de restaurante praieiro.

O longa também tem no elenco atores como Irandhir Santos, Matheus Nachtergaele e Cauã Reymond. Entre os curtas-metragens na competitiva, as expectativas são altas em relação a exibição de Alfazema, produção do Rio de Janeiro, feito com temática exclusivamente feminina.

A diretora da ficção de curta duração, Sabrina Fidalgo, é um dos principais nomes da nova geração de cineastas brasileiros negros e tem se destacado mundialmente com seu trabalho – tendo sido eleita pela publicação Bustle como a oitava entre 36 diretoras mudando paradigmas em seus países. No elenco, estão a atriz e poetisa Elisa Lucinda e a intérprete global Bruna Linzmeyer.

Curiosamente, as duas produções do Distrito Federal selecionadas para a competição narram histórias ou tem como protagonistas personagens da Floresta Amazônica. O longa O Tempo que Resta, de Thaís Borges, apresenta a trajetória de duas mulheres que enfrentaram as milícias madeireiras na Amazônia. Enquanto, o curta-metragem Chico Mendes – Um Legado a Defender revive a memória do seringueiro, sindicalista, ativista político e ambientalista assassinado em 1988.

Mostras paralelas

Se a falta de renomados nomes do cinema nacional deixou a mostra competitiva de longas-metragens menos, digamos, atrativa, as inúmeras exibições paralelas têm extensão de filmes o suficiente para agradar aos variados gostos cinéfilos. Quem quiser “maratonar” películas durante os dias de festival encontra opções variadas em sessões realizadas à tarde no Cine Brasília.

Atriz, produtora, roteirista e nome consagrado do cinema novo, Helena Ignez, viúva do cineasta Rogério Sganzerla, apresentará seu mais novo longa-metragem Fakir, doc-poético dedicado à arte do faquirismo (homens e mulheres que desafiam a dor para encarar performances como andar sobre brasas ou resistir a uma cama de pregos). O documentário será exibido dentro da Mostra Paralela Território Brasil.

O experimento do crítico de cinema Ricardo Calil em Cine Marrocos rendeu uma pré-indicação ao Oscar na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira (a pré-indicação corresponde a uma lista montada pelo Ministério da Cultura do Brasil, ainda não vale a vaga na premiação norte-americana é bom ressaltar). Dentro de uma antiga sala de cinema abandonada, imigrantes refazem cenas de filmes clássicos e dessa maneira debatem visões de mundo e globalização. O filme será exibido na Mostra Paralela Vozes.

O veterano cineasta e pesquisador Vladmir Carvalho exibirá em primeira mão seu mais novo documentário Giocondo Dias – Ilustre Clandestino. O longa, exibido em sessão hours-concours, é mais um filme da série de cinebiografias dirigidas pelo cineasta paraibano, radicado no Distrito Federal e narra a trajetória do militante de esquerda Giocondo Dias.

52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
De 22 de novembro a 1º de dezembro, sessões o dia inteiro no Cine Brasília e Museu Nacional da República. Reprises no dia seguinte em Planaltina, Samambaia e Recando das Emas. As sessões competitivas acontecem às 20h30, no Cine Brasília. Ingressos podem ser adquiridos on-line ou na bilheteria do local. Favor, conferir a classificação indicativa de cada sessão

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