Festival de Brasília busca equilíbrio entre o popular e o experimental

A 48ª edição do evento começa nesta terça (15/9), com uma seleção que tenta reforçar a vocação histórica de exibir filmes de arte e atrair público

atualizado

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Dulce Helfer/Divulgação
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Uma espiada na seleção oficial do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro revela uma tendência de equalização de estilos. Se nos últimos cinco anos o chamado cinema híbrido entre ficção e documentário, feito com não atores, dominou a competição, a curadoria tratou de dar mais atenção aos profissionais na seleção que será exibida a partir de terça (15/9) até o dia 22.

Gero Camilo (“A Família Dionti”), Matheus Nachtergaele e Marcélia Cartaxo (“Big Jato”), Fernando Alves Pinto (“Para Minha Amada Morta”) e Mariana Ximenes (“Prova de Coragem”, foto no alto) são algumas das estrelas presentes na mostra. Ao mesmo tempo, não se perderam de vista a inventividade do filme experimental (“Fome”) e a forte tradição do documentário (“Santoro – O Homem e Sua Música”, produzido em Brasília).

Segundo a comissão que escolheu os seis longas e os 12 curtas que competem pelo troféu Candango, esse equilíbrio deixa o festival com uma dupla face — entre Gramado (conhecido por filmes com potencial de público) e Tiradentes (famoso por ser um painel do cinema de pesquisa).

“Queríamos recuperar uma certa tradição do festival, de mostrar a diversidade da produção brasileira. E isso inclui filmes com dramaturgia clássica, produções vanguardistas e híbridas”, diz o professor e crítico de cinema Sérgio Moriconi, um dos membros da comissão de seleção.

Jean-Claude Bernardet em “Fome” (SP), de Cristiano Burlan: vertente experimental


Vitrine de estéticas variadas

Uma das intenções da curadoria é tentar dar conta da produção nacional por meio de duas mostras paralelas. O segmento Panorama Brasil exibe seis longas nacionais inéditos, enquanto a seção Continente Compartilhado projeta seis filmes realizados a partir de projetos de coprodução.

Neste último galho secundário do festival, salta aos olhos “Jauja” (2014), o elogiado faroeste com tons de fantasia dirigido pelo argentino Lisandro Alonso. O filme ainda não foi lançado no circuito comercial brasiliense. “Como não dão prêmio, as pessoas podem achar que as mostras não são importantes”, argumenta Moriconi. “Mas esses painéis são bons para o público de Brasília”, completa.

Diretor da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), o mineiro Paulo Henrique Silva não vê problema na chamada “tiradentização” do festival – o fenômeno explicitado pela quantidade de produções híbridas nas últimas edições. “São filmes que levantam discussões de forma mais duradoura e, nesse momento, é o que temos de mais próximo do cinema político que marcou o Festival de Brasília.”

Para ele, que cobre o evento desde 2008, a mostra reflete o “grande fosso criado nos últimos anos, que separa filmes de cunho experimental e blockbusters, principalmente comédias populares”. Filmes que não são nem radicais nem comerciais acabaram perdendo espaço, segundo o jornalista e crítico de cinema do jornal mineiro “Hoje Em Dia”.

O americano Viggo Mortensen em “Jauja”, na mostra Continente Compartilhado


O abismo entre duas audiências
Essa distância entre o cinema comercial e o experimental acaba criando uma lacuna que a Argentina, por exemplo, consegue cobrir de maneira inteligente e lucrativa. Basta notar a presença de produções do país vizinho no Oscar, como “O Segredo dos Seus Olhos” (2009), vencedor da estatueta de melhor filme estrangeiro, e “Relatos Selvagens” (2014), indicado em 2015.

A repercussão internacional de títulos de arte, a exemplo de “Jauja”, vencedor da mostra Um Certo Olhar, em Cannes, evidencia essa vocação polivalente. “Embora hoje haja uma intenção de ocupar espaço, mirando-se especialmente no cinema argentino, a verdade é que ainda estamos muito carentes de uma produção que dialogue com essas duas audiências”, avalia Silva.

Completando 50 anos e 48 edições em 2015, a inquietude continua sendo marca registrada de um festival famoso pelas constantes metamorfoses – e pela busca por uma vocação política e estética.

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