Escritor se martiriza por acidente no drama “Tudo Vai Ficar Bem”

Novo filme do alemão Wim Wenders reúne James Franco, Rachel McAdams e Charlotte Gainsbourg

atualizado

metropoles.com

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Mares Filmes/Divulgação
Tudo vai ficar bem filme
1 de 1 Tudo vai ficar bem filme - Foto: Mares Filmes/Divulgação

O diretor alemão Wim Wenders é míope. Até já falou sobre o assunto no documentário brasileiro “Janela da Alma”, dobradinha dos cineastas João Jardim e Walter Carvalho. Mas isso não quer dizer nada se levarmos em conta a beleza visual de seus filmes. E é justamente esse detalhe técnico poderosíssimo no cinema que desperta atenção, logo de cara, no drama, “Tudo Vai Ficar Bem”, seu primeiro longa de ficção depois de um hiato de sete anos.

Na trama que tem um toque Douglas Sirk – diretor alemão que se imortalizou em Hollywood com seus trabalhos melodramáticos – tanto na estética, quanto na abordagem, ele conta a trajetória acidentada do escritor Thomas Eldan (James Franco). Ele é um sujeito de temperamento introspectivo difícil que, após atropelar uma criança num dia de nevasca no Canadá, entra em depressão, prejudicando carreira promissora.

Após período de recuperação, intercalado por tentativa de suicídio fajuta e o fim de um relacionamento amoroso conturbado com a jovem Sara (Rachel McAdams), Thomas parece entrar nos eixos ao encontrar em suas próprias angústias, combustíveis para novas histórias. Tanto que ele reconstrói uma nova vida com o que sobrou de seus cacos vivendo com outra mulher (Marie-Josée Croze). “Estava tentando ser um artista”, debocha de si próprio.

Reflexão introspectiva sobre o luto
Sem esquecer o episódio que deixou cicatrizes indeléveis em sua alma, ele volta ao local da tragédia anos depois, reencontrando a mãe do menino que matou acidentalmente vivido por Charlotte Gainsbourg, aqui uma artista amadora que ganha a vida fazendo desenhos por encomenda. O encontro dará uma nova perspectiva moral na jornada pessoal de ambos.

Bem, enredos norteados por escritores em crise já viraram um mote batido em Hollywood. Mas na abordagem cristã de Wim Wenders, esse esquema clichê ganha olhar renovado sob o signo da culpa e de reflexão introspectiva sobre o luto. É comovente, por exemplo, quando a personagem de Charlotte Gainsbourg, se colocando na pele do outro, isenta Thomas pela culpa da morte de seu filho.

Não se assuste com a narrativa lenta de “Tudo Vai Ficar Bem” porque ela tem o ritmo da vida dos personagens do filme, ou seja, igual ao compasso do dia a dia das pessoas normais da vida real. E isso é um acerto do diretor Wim Wenders porque humaniza, com elegância nas telas, conflitos interiores da alma.

Avaliação: Bom

Veja horários e salas de “Tudo Vai Ficar Bem”.

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