Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Cinema

Delírio ou abuso? Baseado em Fatos Reais é sutil resposta de Polanski

A obra trata de temas como fake news e relacionamentos abusivos

Raquel Martins Ribeiro11/04/2018 05:30, atualizado 11/04/2018 12:48
Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Compartilhar notícia
Paris Filmes/Divulgação
Delírio ou abuso? Baseado em Fatos Reais é sutil resposta de Polanski

Baseado em Fatos Reais, novo thriller psicológico do polonês Roman Polanski, estreia nesta quinta-feira (12/4) e apresenta em suas nuances uma ligação com a vida do próprio diretor. Exilado na França após condenação por pedofilia nos EUA, o cineasta aproveita o filme para falar de temas como fake news e os inflados comentários das redes sociais.

Na trama, a popular autora de best-sellers Delphine (Emmanuelle Seigner) se envolve com a jovem e sedutora Elle (Eva Green). Como um anjo da guarda, Elle aparece no maior momento de fragilidade e insegurança da escritora, que busca por inspiração para novo romance. Mas, a aparente amizade despretensiosa dá lugar a uma relação abusiva.

Inspirado no livro homônimo de Delphine De Vigan e com roteiro assinado por Olivier Assayas (Acima das Nuvens), o suspense leva o espectador a caminhar por uma linha tênue entre o delírio da personagem de Seigner e a realidade.

Paris Filmes/Divulgação
Quantas mulheres existem dentro de Emmanuelle Seigner?

O estilo sofisticado do diretor se perde em meio a tantos artifícios clichês usados para demonstrar a agonia de um escritor em meio à crise criativa, como a superficial imagem da tela de um computador em branco.

A dobradinha em cena das protagonistas, com atuações impecáveis, minimiza quaisquer argumentos que tentam denominar o enredo como enfadonho. Mesmo nadando contra a maré de tropeços da direção, Emmanuelle Seigner e Eva Green conseguem tornar crível a repentina, porém intensa, ligação de dependência emocional entre as personagens. Algo relevante, dada a mal explicada narrativa.

Há um momento em que a possível inversão de papéis sugere uma provável mudança na dinâmica de domínio da situação. No entanto, a fragilidade na condução da história destrói esse fôlego em dois tempos.

Delírio ou abuso? Baseado em Fatos Reais é sutil resposta de Polanski - destaque galeria
6 imagens
Seigner conduz com maestria o papel
E Eva Green está confortável no papel de misteriosa e sedutora
O limite de uma relação abusiva norteia thriller
É possível que a fragilidade nos leve a confiar nossas vidas a uma estranha?
Mas, e se ninguém a sua volta pode confirmar o que seus olhos veem?
Roman Polanski e a esposa no set de gravação
1 de 6

Roman Polanski e a esposa no set de gravação

Paris Filmes/Divulgação
Seigner conduz com maestria o papel
2 de 6

Seigner conduz com maestria o papel

Paris Filmes/Divulgação
E Eva Green está confortável no papel de misteriosa e sedutora
3 de 6

E Eva Green está confortável no papel de misteriosa e sedutora

Paris Filmes/Divulgação
O limite de uma relação abusiva norteia thriller
4 de 6

O limite de uma relação abusiva norteia thriller

Paris Filmes/Divulgação
É possível que a fragilidade nos leve a confiar nossas vidas a uma estranha?
5 de 6

É possível que a fragilidade nos leve a confiar nossas vidas a uma estranha?

Paris Filmes/Divulgação
Mas, e se ninguém a sua volta pode confirmar o que seus olhos veem?
6 de 6

Mas, e se ninguém a sua volta pode confirmar o que seus olhos veem?

Paris Filmes/Divulgação

Contudo, é decepcionante ver nomes da envergadura de Polanski e Assayas apresentarem algo tão abaixo do que estão acostumados a entregar aos fãs. Tantas camadas dessa relação ou delírio poderiam ser exploradas…

Avaliação: Bom