Crítica: Vai Que Cola 2 – O Começo faz rir menos, mas ainda é bom

O novo filme da trupê do Méier conta a origem dos moradores da Pensão da Dona Jô

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atualizado 11/09/2019 20:09

Vai Que Cola virou um produto muito maior que o humorístico que estreou no Multishow em 2013. O sitcom lança, nesta quinta-feira (12/09/2019), o segundo filme, apostando na história de origem do moradores do Méier. Vai Que Cola 2 – O Começo volta no tempo e mostrar como Terezinha (Cacau Protássio), Ferdinando (Marcus Majella), Velna (Fiorella Mattheis) e Maicon (Emiliano D’Ávila) foram morar na Pensão da Dona Jô.

Nesta sequência, porém, o elenco vem desfalcado de Paulo Gustavo, que, durante muito tempo, foi o grande chamariz de público da atração. A ausência de um dos maiores hitmakers das comédias nacionais, para efeitos narrativos, faz pouca falta ao longa. Seu personagem, Valdomiro Lacerda, funcionou como o fio condutor da criação do programa, mas, quando surgiu na vida dos outros integrantes, eles já estavam lá, portanto, falar de sua origem não faz muito sentido.

Assim, o segundo longa se centra na história dos outros personagens, com especial foco a Terezinha, Maicon e, é evidente, Ferdinando. O concierge gay vivido por Majella é sem dúvida o mais carismático personagem da saga: deslumbrado com o sonho de virar um grande artista, o rapaz faz de tudo para tentar mostrar o seu “talento”. Assim, é impagável a cena com paródia de Lua de Cristal ou mesmo quando ele imita Carminha, a icônica vilã de Adriana Esteves.

Ao contrário do que vem acontecendo com o programa televisivo, Vai Que Cola 2 apoia-se mais na trama do que em bordões e esquetes dos personagens – o que torna um pouco forçado a “origem” de como Ferdinando ganhou o apelido de Jabulani. E, para dar uma amarrada na narrativa, surge a figura de Tiziu (Fábio Lago – foto em destaque). O público conhece, finalmente, o finado marido de Terezinha, inclusive, descobre-se como o dono do Morro do Cerol vira uma corrente elétrica para dar apagões na casa de Dona Jô.

Foco na trama

O longa, dirigido por César Rodrigues, segue a linha do roteiro do programa de televisão: cada personagem é um arquétipo do cotidiano imaginado dos subúrbios cariocas. É fato que funciona, os trejeitos de Ferdinando arrancam risos ou mesmo o estilo periguete de Jéssica (Samantha Schmütz) gera momentos de graça. No entanto, a escolha do filme em se focar na trama, deixa pouco espaço para a interação dos personagens, colocando um ritmo mais lento à produção, em relação a outras do gênero.

Falta também ao Vai Que Cola uma certa atualização, o mundo de 2013 era um, diferente do que vivemos hoje em dia. Já é hora dos roteiristas pensarem em soluções diferentes do “drible do recalque” ou “da gostosona loira que seduz a todos”.

Críticas à parte, Vai Que Cola 2 – O Começa é uma comédia nacional com força para conseguir bons números de bilheteria. Mesmo que tenha falhas, é inegável a capacidade do projeto de fazer rir e proporcionar horas agradáveis no cinema.

Avaliação: Regular

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