Crítica: Stallone mergulha na sanguinolência em Rambo: Até o Fim

Filme que promete ser última encarnação do traumatizado soldado do Vietnã mostra veterano destruindo cartel mexicano para resgatar sobrinha

Imagem Filmes/Divulgação

atualizado 23/09/2019 14:25

Rambo: Até o Fim é selvageria pura. Tiro na cabeça (para não dizer na cara mesmo), lacerações e amputações (sem anestesia, claro) e a cereja do bolo: coração arrancado com as próprias mãos por Sylvester Stallone, eterno herói dos filmes de ação. Prepare-se para a carnificina.

Segunda sequência tardia da franquia – o próprio astro dirigiu a continuação anterior, Rambo IV (1988), 20 anos após Rambo III –, o novo capítulo tem pouca ou nenhuma relação com os antecessores. A conexão com o passado se dá pelo semblante assombrado de John Rambo, o veterano da Guerra do Vietnã que já viu e ouviu o bastante para não acreditar em mais nada.

0

Coescrita por Stallone – como todos os outros longas da saga –, a história segue um Rambo setentão morando no Arizona, no rancho de Maria Beltran (Adriana Barraza). Mais precisamente, ele vive (ou se esconde) num bunker embaixo da terra, onde brande ferramentas e cava túneis que parecem rotas de fuga – saberemos a utilidade deles daqui a pouco. Na superfície, doma cavalos e cavalga pelos prados da região.

Ele parece um tanto afastado da violência, mas parece carregar o mundo nas costas. Mundo, aliás, que ele faz questão de alertar como lugar de corações sombrios e maldades sem fim para sua sobrinha adotiva (e quase filha), Gabriela (Yvette Monreal).

Violência extrema

A adolescente, ávida para se reconectar com o pai, que a abandonou há mais de 10 anos, quando a esposa morreu de câncer, viaja para o México a fim de encontrá-lo. Acaba nas mãos dos irmãos Hugo (Sergio Peris-Mencheta) e Victor Martinez (Óscar Jaenada), chefes de um cartel que escraviza jovens mulheres e as vende como prostitutas.

O mote de Rastros de Ódio (1956), faroeste-modelo sobre resgate e vingança, aplica-se à trajetória do velho Rambo. Primeiro, vai ao país vizinho e é surrado. Sobrevive e coleta informações sobre a organização criminosa ao conhecer a jornalista Carmen Delgado (Paz Vega), que teve irmã vitimada pelo cartel. O resto você já pode imaginar: um bando de caras maus reduzidos a cadáveres destroçados pelo personagem de Stallone.

Adrian Grunberg (Plano de Fuga, com Mel Gibson), o diretor, parece ter um especial tino pela sanguinolência, o que merece algum crédito em tempos de higienizados filmes de super-herói. Tanto que o clímax se passa nos túneis caseiros criados por Rambo, com armadilhas espalhadas pelos corredores e um arsenal de armas a serviço de Stallone.

Há truculência aos montes, mas nem pista de algo minimamente bem encenado. O gore não vai muito além das já citadas explícitas e gráficas cenas de violência extrema. E a representação no mínimo discutível de mexicanos em tempos de Trump também não cai bem.

Em resumo: filme feio, sem estilo. Uma pena. Não que a franquia seja lá grande coisa. Mas o personagem e o astro mereciam uma narrativa com um tiquinho mais de assinatura.

Avaliação: Regular

Últimas notícias