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O Grinch é um personagem americano, criado em 1957 pelo escritor de obras infantis Dr. Seuss. Nos cinemas nacionais, no entanto, ele chega com sotaque soteropolitano: o ator Lázaro Ramos dublou o personagem e conseguiu dar a ele um tom abrasileirado na medida certa. A interpretação, aliás, talvez seja uma das melhores partes da versão brasileira da animação que chega nesta quinta-feira (8/11) aos cinemas.

Apesar de haver grandes vantagens em assistir ao filme em português, existe uma falha imensa na dublagem, que torna este longa completamente esquecível para o público infantil brasileiro. Todas as canções de O Grinch, mesmo na versão dublada, são em inglês. Dessa forma, a criançada que só fala português fica de fora e não aprende as músicas. A experiência, embora agradável, não é memorável.

Mesmo assim, são 90 minutos extremamente divertidos. Pode ser difícil para qualquer criança compreender por que alguém seria como o Grinch: mau-humorado, maldoso, e ele ainda por cima odeia o Natal. Mas as coisas ruins feitas pelo personagem têm um efeito cômico, de arrancar risadas até do público mais inocente. Um bom exemplo é bem no começo do filme, quando um menino baixinho pede ajuda ao monstro verde para colocar um nariz em seu boneco de neve: Grinch acaba derrubando a cabeça da figura no chão.

Os detalhes de produção também são dignos de aplauso. Do movimento dos pelos de Grinch na neve até as complexas texturas de seu trenó de Papai Noel, tudo tem um apuro visual fantástico. Os carrinhos de bebê e as bicicletas das crianças, por exemplo, não têm rodas, mas estruturas similares a esquis. E o maquinário de geringonças de Grinch, por fim, é um lembrete constante de que se trata de um universo de fantasia. No terceiro ato, a sequência em que ele rouba o Natal é o ponto alto do longa.

Entre tantas histórias piegas de Natal, a do Grinch talvez seja uma das mais honestas. O anti-herói, além de cativante e engraçado, passa por uma jornada interessante de se acompanhar, independentemente de você ser uma pessoa que gosta desse feriado ou não. É sempre bom termos o lembrete da real representação da data: compaixão, união e perdão. E uma mesa farta para compartilhar.

Avaliação: Bom