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Rio de Janeiro — Diretora de Colo (2017), elogiado filme sobre os efeitos da crise econômica em uma família portuguesa, Teresa Villaverde apresenta no Festival do Rio 2018* o documentário O Termômetro de Galileu.

Trata-se de uma obra experimental sobre o cineasta italiano Tonino De Bernardi. Apesar de se colocar como um um filme sobre cinema, a obra tenta se desgarrar das tradições do gênero documental, dando prioridade a passagens poéticas e longos depoimentos do personagem sobre herança familiar, raízes e, claro, extensa carreira na sétima arte.

Villaverde adota um ponto de vista despojado, quase semi-amador mesmo, para registrar as conversas com De Bernardi. No interior de um carro em movimento, na cozinha, na sala de jantar e no jardim.

O Termômetro de Galileu, porém, é mais interessante descrito do que visto. Com extensos 105 minutos de duração, poderia ser mais enxuto. Pode representar uma experiência extenuante até para o público frequentador de festivais.

O filme parece não funcionar como experimento caseiro nem como título parcialmente informativo sobre o retratado — o documentário falha até na proposta de atiçar a curiosidade do público sobre De Bernardi. Ele, segundo é mostrado nos minutos finais, revolucionou os modos de produção da rede televisão RAI levando para a emissora seu estilo underground de realizar cinema.

Em dos poucos momentos inspirados do filme, o veterano italiano fala sobre as diferenças entre escrever e filmar. Enquanto a escrita exige um certo isolamento, o cinema é algo criado do interior para o exterior, com o mundo — ênfase no com. Algo que certamente O Termômetro de Galileu não consegue potencializar narrativamente.

Avaliação: Regular

*O repórter viajou a convite do Festival do Rio 2018