Crítica: “Malícia” observa relacionamentos no mundo contemporâneo
Os curtas “Bodas de Papel” e “Demônia – Melodrama em 3 Atos” completaram a última sessão de domingo (25/9) no Festival de Brasília
atualizado
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Se a primeira sessão noturna de domingo (25/9) teve teor documental e memorial, o segmento que fechou o fim de semana revelou filmes sensuais e ousados fetiches. Entre relacionamentos incomuns e elementos de voyeurismo, o longa brasiliense “Malícia” (foto no alto), de Jimi Figueiredo, reuniu nomes como Vivianne Pasmanter e Marisol Ribeiro para narrar histórias cruzadas ambientadas na capital.
Os dois curtas catapultaram a atmosfera “quente”. Em “Bodas de Papel” (MA), um casal comemora o primeiro ano juntos com uma noite de sexo fora dos padrões. Com colagens pop e linguagem de internet, “Demônia – Melodrama em 3 Atos” (SP) acompanha as reações, crises e soluções de uma mulher traída.Leia críticas dos filmes exibidos na última sessão de domingo (25/9), no Festival de Brasília:
“Malícia” (DF), de Jimi Figueiredo
Único longa na competição com uma confessa filiação ao cinema de gênero, “Malícia” se equilibra entre drama, comédia e thriller para narrar histórias cruzadas em Brasília. O diretor Jimi Figueiredo opta por dividir a trama em dois núcleos, num roteiro que obviamente se estabelece nas interseções e futuros encontros entre os segmentos.
De um lado, o casal de classe média interpretado por Vivianne Pasmanter e João Baldasserini vive uma crise nos negócios. Ele, dono do restaurante Clandestino, tenta se livrar de uma dívida por meio de uma propina.

Do outro, Marisol Ribeiro tem um relacionamento intempestivo com o personagem de Sérgio Sartório. Este, por sua vez, é obcecado em observar a vida do casal por meio da webcam, acessada ilegalmente.
Numa trama em que todos escondem segredinhos pessoais, “Malícia” sofre com a falta de fluidez do roteiro, calculado para que os personagens se conectem mais adiante. A composição visual também parece conveniente: a câmera “íntima” se coloca entre os corpos, mas é reduzida a planos fechados e detalhes de gestos e objetos.
Até o voyeurismo do personagem de Sartório parece mal aproveitado: um elemento que surge no roteiro meramente para ligar histórias e provocar conflitos óbvios. Mais ingenuidade do que malícia.
Avaliação: Ruim

“Bodas de Papel” (MA), de Keyci Martins e Breno Nina
Um curta de uma cena só. Para comemorar um ano juntos, o casal vivido por Áurea Maranhão e Breno Nina decide realizar uma fantasia sexual das mais extremas. Ela bate à porta, entrega uma pizza. E o parceiro revela sua nudez. Ela saca uma arma, algema-o.
Com um pênis artificial, a mulher transa com o homem de maneira ríspida e violenta. Obriga-o a fazer sexo oral no consolo e lambuza o rosto dele com maionese. Existe uma frontalidade erótica e pornográfica em “Bodas de Papel”. Mas, acima de tudo, há também uma vontade de chocar e escrachar para depois afagar o público – quando a encenação termina, eles se abraçam.
Avaliação: Regular

“Demônia – Melodrama em 3 Atos” (SP), de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet
Com uma clara proposta de cinema popular, o curta conta a história de uma mulher traída em três arcos de estilos distintos. No primeiro ato, a protagonista, evangélica e grávida, descobre que seu marido (Henrique Schafer) mantém um caso com seu primo (Vinicius de Oliveira).
O clima de novela das sete logo ganha contornos de uma matéria de jornal de fofoca no segundo arco, em que a mulher aponta os culpados, chora, se desespera e expõe a situação para toda a vizinhança. Por fim, o terceiro e último segmento parodia o segundo.
Um videoclipe constrói um funk com as entrevistas escandalosas da mulher, reações tímidas dos homens e recortes de figuras do mundo pop (Xuxa, Batman, etc). A linguagem de meme e viral de internet rende até uma montagem de Henrique Schafer com o rosto do presidente Michel Temer, alvo de protestos da classe artística durante o festival.
“Demônia” é vibrante e diverte mais pela montagem frenética do que pela encenação, baseada em caricaturas de pouco carisma e fácil desgaste.
Avaliação: Regular
