Crítica: filme Venom transforma vilão do Homem-Aranha em anti-herói

Tom Hardy encarna Eddie Brock, jornalista em crise possuído por um parasita alienígena

Reprodução/Sony PicturesReprodução/Sony Pictures

atualizado 04/10/2018 11:20

O filme solo de Venom, linguarudo e dentuço vilão alienígena do Homem-Aranha, estreia nos cinemas tentando transformar o antagonista em anti-herói. Mais de dez anos após a primeira encarnação do personagem na telona, com Topher Grace numa versão menos anabolizada do simbionte, Tom Hardy interpreta o jornalista Eddie Brock, homem que se vê possuído por um parasita de outro mundo.

Até pouco tempo atrás, o repórter era bem-sucedido e requisitado. Mas ele joga tudo fora após um momento de destempero e irresponsabilidade. Pautado para uma entrevista exclusiva com o magnata da exploração espacial e da biotecnologia Carlton Drake (Riz Ahmed), Brock quer fazer questionamentos sobre os negócios do cientista à frente da Life Foundation.

Para tal, bisbilhota um e-mail de sua noiva, Anne Weying (Michelle Williams), advogada do time que defende Drake, e descobre graves denúncias: o empresário usa indigentes como cobaias humanas em experimentos e testes envolvendo amostras de vida extraterrestre. A namorada é demitida. Brock também. De quebra, ao invadir o laboratório, ele tem seu corpo invadido por Venom, um dos organismos trazidos do espaço.

Com direção de Ruben Fleischer, conhecido por Zumbilândia (2009), o longa tenta combinar história de origem, terror psicológico e humor sombrio. Nada dá liga, apesar do talentoso Hardy parecer claramente dedicado ao papel.

Falta o óbvio à aventura: um tantinho de loucura, talvez menos cenas de ação genéricas, filmadas sem qualquer criatividade visual, e mais vultos da persona ambígua de Brock. Uma vez infectado, o jornalista passa por uma brutal transformação física e mental e começa a ouvir a voz aveludada do alien dentro de sua cabeça.

Mas Fleischer e a Sony, responsável por este que é o primeiro filme do universo Marvel do estúdio, preferem espelhar a experiência de Brock/Venom em Drake, o “vilão do vilão”, em vez de trabalhar com mais fôlego o horror corpóreo vivido pelo protagonista.

Seguindo à risca a já velha tradição de terceiros atos problemáticos em produções de super-herói, o longa força a barra para que Drake ganhe seu próprio simbionte, Riot, o líder dos alienígenas e oponente ideal do renegado Venom, cada vez mais propenso à ideia de ficar na Terra com Brock.

O filme posa de ousado, mas escolhe o caminho mais cômodo, negando a vilania e suas consequências morais. Para todos os efeitos, uma tentativa desastrosa à la A Múmia (2017) de inventar uma franquia a partir do catálogo de personagens que orbitam o Homem-Aranha.

Avaliação: Ruim

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