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Cinema

Crítica: “Entre Irmãs” e o cinema de lágrimas de Breno Silveira

Novo filme do diretor de “Dois Filhos de Francisco” e "Gonzaga: de Pai Para Filho" tenta a todo custo emocionar o espectador

12/10/2017 05:30
Sony/H20/Divulgação
Crítica: “Entre Irmãs” e o cinema de lágrimas de Breno Silveira

As principais características do cinema do cineasta Breno Silveira estão impressos em “Entre Irmãs”, mais novo filme assinado por ele. Como o título indica, a narrativa centra-se em um drama familiar, especialização do diretor de “Dois Filhos de Francisco” e “Gonzaga: de Pai Para Filho”. Desta vez, o realizador se arrisca num filme épico de quase três horas de duração, desenhado com tintas melodramáticas.

O cerne da película está numa forçada separação entre duas irmãs órfãs, com diferentes gostos e expectativas. A paisagem seca se abre na perspectiva de combate para Luzia (Nanda Costa), forçada a acompanhar Carcará (Júlio Machado), líder de um bando de cangaceiros.

A região árida, retratada numa palheta de cores ocres, se torna uma paisagem dissolvida no retrovisor para Emília (Marjorie Estiano) após um casamento com Degas (Rômulo Estrela). O marido, um herdeiro rico da capital do estado do Recife, não está exatamente interessado na vida matrimonial e essa pode ser uma fonte de frustração para a mais moderna das duas irmãs.

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"Entre Irmãs", de Breno Silveira
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A esquematização proposta pelo roteiro promove uma montagem de ações paralelas, num vai e vem de situações passadas no sertão e no litoral. A trilha sonora executada em (quase) toda a projeção não salva a inação de um script formado pelo excesso de situações expositivas e ritmo arrastado. Na verdade, em dado momento, a insistência do uso da música deixa de ambientar ou emocionar.

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Esses fatores acabam por enfraquecer a denúncia da condição de submissão das mulheres e o trato da homossexualidade em uma sociedade que não consegue absorver o diferente e o conflitos de classes. Aparentemente, o projeto mais ambicioso de Silveira é atrapalhado exatamente pelos excessos de uma linguagem cinematográfica, pensada para emocionar, que funciona bem melhor quando usada com moderação.

Avaliação: Regular