Crítica: em Ultimato, Vingadores encerram saga com sacrifício e leveza

Filme dos irmãos Anthony e Joe Russo mostra os super-heróis tentando desfazer o massacre universal promovido pelo vilão Thanos

Marvel Studios/Walt Disney/DivulgaçãoMarvel Studios/Walt Disney/Divulgação

atualizado 25/04/2019 16:50

Em Vingadores: Ultimato, o sentimento é de luto. Como se recuperar do que aconteceu na Guerra Infinita? Exatamente metade da humanidade e de todas as raças que povoam o universo viraram pó após o estalar de dedos de Thanos (Josh Brolin), concretizando seu plano nefasto e “sustentável” de corrigir o curso da vida.

Atenção: o texto pode conter spoilers!

Aqui na Terra, cinco anos depois do apocalipse, os super-heróis ainda precisam lidar com o próprio fracasso. Cada um segue como pode. Tony Stark (Robert Downey Jr.) realiza o sonho que havia contado a Potts (Gwyneth Paltrow) no começo de Guerra Infinita — eles têm uma filhinha. Steve Rogers (Chris Evans) lidera um grupo de ajuda frequentado por sobreviventes — ou seja, pelos que ficaram.

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O Homem de Ferro vagando pelo espaço: filme tem começo e final filosófico

 

Anthony e Joe Russo, diretores de Soldado Invernal (2014), Guerra Civil (2016) e Guerra Infinita (2018), encontram em Ultimato a oportunidade de criar um épico a partir do acúmulo dos 21 longas anteriores da saga e da memória coletiva dos fãs em torno da franquia mais endinheirada do cinema. E não a desperdiçam.

A primeira hora do filme é basicamente uma série de encontros, conversas e movimentações entre lendas ambulantes. Thor (Chris Hemsworth), por exemplo, virou um beberrão barrigudo. Hulk (Mark Ruffalo) conseguiu converter a personalidade do “verdão” com a de Bruce Banner, mas vive da fama e das selfies com fãs.

 

Ultimato se permite um início low profile porque não há muito o que fazer a não ser administrar a desgraça. A Capitã Marvel (Brie Larson), anunciada como a esperança dos que restaram, junta-se aos heróis para achar Thanos. O supervilão não parece muito melhor do que seus rivais: um caco após a missão concluída e a destruição das seis Joias do Infinito. É decapitado por Thor como um toco de madeira.

E agora, sem futuro, aonde vamos? Ao passado, ora. Scott Lang (Paul Rudd), o Homem-Formiga, passou tempo suficiente no chamado Reino Quântico para trazer um plano: e se voltássemos no tempo, recuperássemos as joias antes de Thanos e evitássemos aquele maldito estalo? Muita coisa pode dar errada. Mas existe uma chance.

Essa visita ao que já aconteceu vira uma espécie de retrospectiva meio bizarra do MCU, o Universo Cinematográfico Marvel. Voltamos aos eventos de 2012, quando Nova York foi tomada por alienígenas, mas agora com uma perspectiva diferente, olhando de soslaio, das brechas, os velhos vendo a si mesmos mais jovens — o público lembrando o que se passou até chegarmos ao Ultimato.

Os irmãos Russo exploram à beça essa janela nostálgica. Se este é um filme de acúmulo de imagens e sentimentos, nada como encontrar nas glórias e nas perdas de ontem alguma ideia para o amanhã.

Ultimato, talvez o maior filme-evento de Hollywood desde Avatar (2009), parte do sofrimento para encontrar algum tipo de leveza nisso tudo. O longa começa filosófico, pensativo, com Stark vislumbrando esse grande nada chamado espaço, e se encaminha, claro, para uma épica batalha final. Literalmente, todos os heróis contra todos os inimigos — Thanos e sua horda.

As cenas finais retornam ao estado pensativo dos primeiros minutos. O extermínio foi desfeito, não sem vários sacrifícios. Mas há conquistas inestimáveis. Como ver, pela janela de uma casinha suburbana, um soldado largando o uniforme para experimentar o melhor da vida.

Avaliação: Ótimo

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