Crítica: Destino Sombrio dá novo fôlego a Exterminador do Futuro

Sexto filme da franquia de ação e ficção científica aposta na força de trio de mulheres em sequência direta dos dois primeiros capítulos

Kerry Brown/Skydance/Fox/Paramount/DivulgaçãoKerry Brown/Skydance/Fox/Paramount/Divulgação

atualizado 30/10/2019 16:55

Em O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, sexto filme da franquia liderada pelo astro Arnold Schwarzenegger, as mulheres são o futuro da humanidade. Presente e passado também. Trazendo de volta Linda Hamilton no papel de Sarah Connor e James Cameron (Titanic, Avatar) no time de roteiristas e produtores – ele dirigiu os dois primeiros (e melhores) longas da saga –, o novo capítulo sopra fôlego inesperado em um universo cinematográfico que andava deveras obsoleto.

Destino Sombrio vem sendo comparado a O Despertar da Força (2015), o filme que rejuvenesceu e reativou Star Wars, e a alusão realmente não vem por acaso. Ambos os filmes se alimentam – até demais, esbarrando na reiteração – dos filmes inaugurais de suas respectivas franquias para basicamente contar a mesma história em roupagem contemporânea e feminina.

Destino Sombrio funciona como sequência direta de O Exterminador do Futuro (1984) e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991) e relega os eventos de A Rebelião das Máquinas (2003), A Salvação (2009), Gênesis (2015) e da série As Crônicas de Sarah Connor (2008-2009) a uma linha do tempo alternativa. Haja nostalgia, fan service e homenagem. No fim das contas, a fórmula dá mais certo em Exterminador do que na galáxia em guerra.

Destino Sombrio tem a seu favor o fato de Dani Ramos (Natalia Reyes), nova heroína da saga, ser uma jovem mexicana da classe trabalhadora cujo futuro está intimamente ligado à sobrevivência da humanidade no pós-guerra (chame de apocalipse) contra as máquinas. Mais contemporâneo e anti-xenofobia, impossível. O futuro da raça humana não só depende dela como de outras duas mulheres, essas já um tanto calejadas pelos constantes embates nós x inteligência artificial.

Robôs do futuro tratam de mandar ao presente a mais nova invenção para eliminar Dani: Rev-9 (Gabriel Luna, também latino), um Exterminador que faz o T-1000 (Robert Patrick) de O Julgamento Final parecer brinquedo de criança. Indestrutível, ele basicamente consegue se liquefazer para se reerguer, assumir a forma de qualquer humano e até se duplicar.

Viagem no tempo e porradaria

Estamos em 2020 e Rev-9 tem como alvo Dani, na periferia da Cidade do México. Entram na jogada as protetoras dela: Grace (Mackenzie Davis), uma soldado com capacidades físicas e mentais aprimoradas tecnologicamente que veio do ano 2042 para manter Dani viva, e a incansável Sarah Connor (Linda Hamilton), guerreira cuja especialidade é metralhar Exterminadores.

Ah, e claro, o velho T-800 (Schwarzenegger) de guerra também dá uma mãozinha ao trio, mas como coadjuvante. Ele passou uns bons anos cuidando de uma família, virou empresário do ramo de cortinas, vive no Texas e agora se identifica como Carl.

Destino Sombrio jamais esconde a filiação aos dois primeiros filmes, sobretudo a Julgamento Final, magnum opus da franquia. De uma perseguição no trânsito com Rev-9 a bordo de um trator ao roteiro enxuto e objetivo – um robô do mal em missão contra humanos messiânicos e robôs do bem.

Se a direção de Tim Miller (Deadpool, criador da série Amor, Morte & Robôs) empolga pouco na composição das cenas de ação, apesar da farta porradaria, pelo menos cumpre o papel esperado de preservar o espírito dos personagens clássicos de Cameron e consolidar as novatas Dani e Grace como esperança futura (do planeta e da franquia).

Destino Sombrio não arrisca nada mais do que uma atualização (vigorosa, é bem verdade) dos filmes originais. Apesar da proposta pouco ambiciosa, atinge as notas certas sempre que a narrativa soa meramente derivativa: equilíbrio bem-vindo entre novos e velhos personagens, uso comedido da viagem no tempo e arestas simpáticas para continuações. Na comparação com Gênesis e A Salvação, a melhora é absurda.

Avaliação: Bom

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