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Um dos maiores atores de ação em atividade, Dwayne Johnson, o The Rock, desafia o perigo a centenas de metros de altura em Arranha-Céu: Coragem Sem Limite.

A produção se comporta como um filme dos anos 1990: um veículo que se apoia completamente no carisma e nas habilidades atléticas de um grande astro. Ao contrário da década de ouro para a ação, porém, falta personalidade ao longa, que custa a empolgar.

Sob comando do diretor, roteirista e produtor Rawson Marshall Thurber, que trabalhou com o astro na comédia de espionagem Um Espião e Meio (2016), The Rock vive Will Sawyer, um ex-agente do FBI. Há dez anos, ele perdeu a perna na abordagem a um sequestrador suicida. Hoje, dirige uma pequena firma de consultoria de segurança.

O negócio começa a deslanchar quando ele é convidado para prestar serviço ao bilionário Zhao (Chin Han), dono do edifício mais alto do mundo – três vezes o tamanho do Empire State Building. Batizada de Pérola, a torre corta o céu de Hong Kong e, de tão monumental, abriga quase uma metrópole à parte.

Justo no dia em que Will apresenta seu plano de segurança a Zhao, um gangue liderada pelo criminoso Kores Bortha (Roland Møller) invade o Pérola e ateia fogo a um dos andares superiores. A parte de cima, ainda inabitada, abriga apenas Sarah (Neve Campbell, estrela da franquia de terror Pânico), esposa de Will, e seus filhos, Georgia (McKenna Roberts) e Henry (Noah Cottrell).

O que era para ser uma agradável viagem de negócios e lazer vira uma possível tragédia familiar. Filiando-se à tradição de filmes de ação de uma só locação, como Duro de Matar, Thurber consegue criar algumas boas sequências em torno de Johnson: um rapel pelo Pérola usando artefatos de uma armadura chinesa – isso não poderia reforçar de forma mais óbvia o quanto o filme pretende fisgar o público oriental – ou toda uma cena de tiroteio e porrada numa sala de telas espelhadas no topo do prédio.

Mesmo assim, parece faltar a Arranha-Céu algo que vá além de um par de cenas. Apesar de se sustentar claramente no magnetismo de The Rock, a trama carece de personalidade. Os vilões são inofensivos e os diálogos funcionariam melhor se fossem um tantinho mais espirituosos. No fim das contas, Johnson não consegue salvar o filme do genérico, mas o torna tranquilamente assistível.

Avaliação: Regular