Crítica: Annabelle 3 é o melhor filme da boneca demoníaca de Invocação

Novo longa da franquia Invocação do Mal acerta com trama enxuta e pegadinhas e sustos em torno do objeto mais temido do casal Warren

Warner Bros./DivulgaçãoWarner Bros./Divulgação

atualizado 27/06/2019 12:04

Annabelle 3: De Volta Para Casa, sétimo filme da franquia de terror Invocação do Mal, representa um acerto tardio da saga na caracterização da boneca demoníaca. O brinquedo do mal, objeto mais temido do casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga), passou rapidamente de figurante a principal rosto do universo criado pelo diretor James Wan, também conhecido por Jogos Mortais (2004), longa que o revelou, e Aquaman (2018).

Desta vez, a boneca esbugalhada finalmente ganha um tratamento visual à altura da sua fama. Se o primeiro filme, Annabelle (2014), foi desastroso, mesmo atraindo boa bilheteria, o segundo, A Criação do Mal (2017), conseguiu corrigir a rota ao contar as origens dela. Agora, a trama espertamente retorna à casa dos Warren, mas desvia o foco para a destemida Judy (Mckenna Grace), filha única dos exorcistas.

Trama enxuta

Roteirista ao lado de James Wan, Gary Dauberman estreia na direção após anos desenvolvendo scripts para a franquia Annabelle – ele também participou de A Freira (2018), spin-off de Invocação, e é um dos escritores das recentes adaptações de It: A Coisa.

Apesar dos 106 minutos de duração, Annabelle 3 desenvolve uma história mais enxuta do que a dos filmes anteriores. O setup não poderia ser mais simples e típico do terror. Os Warren saem para investigar um caso e deixam Judy sob os cuidados da babá Mary Ellen (Madison Iseman).

Há uma série de regras na casa. Entre elas, não chegar nem perto do quarto onde Ed e Lorraine mantêm sua “coleção” de artefatos extraídos de investigações paranormais. Annabelle, em especial, fica isolada dentro de uma câmara de vidro, sentadinha. Eis que surge Daniela (Katie Sarife), amiga de Mary Ellen. Ela insiste em ajudar a amiga. Movida por um trauma de família, aproveita a visita para dar uma espiada no infame quarto. O resto você já pode imaginar.

Prepare-se para as pegadinhas

Dauberman traduz de uma maneira ao mesmo tempo direta e criativa os poderes invisíveis de Annabelle. Uma vez libertada da redoma de vidro por Daniela, a boneca ganha passe livre para fazer o que sabe: servir de canal para manifestações de espíritos malignos.

É aí que o filme encontra seus melhores momentos: tanto na imobilidade enervante da boneca – ela sempre aparece onde não esperamos, mas jamais vemos como chegou até ali – quanto na legião de demônios que acossam Judy, Mary e Daniela. Lobisomem de CGI à parte – mal feito à beça, tanto que mal dá para vê-lo em cena –, as outras entidades usam artifícios diversos para assustar as protagonistas e, claro, nós, os espectadores.

Apesar da dependência crônica de sustinhos fáceis – um vício das franquias de terror contemporâneas –, há notáveis achados visuais, como a bela cena em que Annabelle revela sua real identidade por meio das sombras projetadas na parede pelo abajur multicolorido de Judy. Outra sacada envolve dar “spoilers” do que pode acontecer com Daniela por meio de uma televisão antiga no cômodo sinistro dos Warren.

Annabelle 3 funciona porque não parece um mero decalque de Invocação do Mal. Consegue ter alguma vida própria e supera, com sobras, tanto seus antecessores quanto os recentes apêndices da saga, A Maldição da Chorona e A Freira. Resta especular o que o universo prepara para setembro de 2020, quando estreia Invocação do Mal 3, o primeiro do eixo principal a não ter direção de Wan.

Avaliação: Bom

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