Cauã explica cena de sexo com Matheus Nachtergaele: “Normal”

O ator esteve na capital para divulgar Piedade, longa que participa da Mostra Competitiva do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

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atualizado 25/11/2019 14:14

O ator Cauã Reymond já não precisa provar mais nada para ninguém. Mesmo assim, o artista se cobra um padrão quase inatingível de atuação. Há 17 anos, quando iniciou a carreira na TV, no seriado Malhação, parecia que suas atuações estariam intrinsecamente ligadas à beleza física. Cauã, no entanto, não aceitou ser aprisionado dentro de uma caixinha. Como intérprete, ele encarou diversos personagens difíceis ao longo da carreira.

Fez comédia, drama, filme comercial, filme de autor e se arriscou na corda bamba de emoções de personagens distantes da realidade que ele conhece. Há sete anos, Reymond decidiu não assistir mais aos filmes em que atua para diminuir o excesso de autocrítica e encontrar melhores resultados de interpretação.

A estratégia tem dado certo e ele parece estar vivendo cada dia mais e melhor dentro da pele de seus personagens. É mais ou menos o que se vê na tela com Sandro, dono de um cinema pornô do Recife e um dos protagonistas de Piedade, dirigido por Claudio Assis, em competição no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

 

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Os próximos passos de Reymond devem ser o início de uma carreira de produtor de cinema. Atualmente, ele trabalha na produção de Pedro, filme sobre D. Pedro I, dirigido por Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças). Em rápida passagem por Brasília, Reymond falou sobre esses temas:

Durante as filmagens de Piedade vazou a informação que haveria uma cena de sexo entre você e Matheus Nachtergaele e isso gerou um burburinho.

Há dois anos as pessoas estão falando sobre isso e espero que a gente não decepcione. Eu estava justamente conversando isso com o Matheus e dizendo “cara, espero que as pessoas não fiquem tristes com o que eles estão esperando” (risos). Tenho muito orgulho da parceria estabelecida com o Matheus neste filme. Sou fã do trabalho dele como artista e gostaria de ser dirigido por ele um dia.

E como vocês construíram essa cena íntima?

A cena foi construída da mesma forma que nós construiríamos uma cena heterosexual, entre homem e mulher. Claro, eu entendo que gere um burburinho, mas a forma como abordamos o trabalho é a mesma, entende? É um trabalho normal. Nós estabelecemos um jogo cênico, seguindo a orientação do Claudio, para fazer a cena. Eu espero que as pessoas assistam ao trabalho que eu fiz em Piedade e gostem.

A forma como você aborda seus personagens mudou ao longo dos anos?

Há sete anos eu não me assisto nas telas. Assisto os filmes quando sou produtor ou preciso assistir aos filmes. Talvez eu mude isso, mas no momento estou curtindo não me assistir. Se estiver passando em algum lugar tudo bem eu assisto, mas caso contrário não vejo mais. Eu sempre pergunto para colegas e pessoas que eu confio para ver a reação. A sensação é que isso diminui a minha autocrítica e me dá liberdade para ousar mais. Eu sou perfeccionista, quero executar um bom trabalho e eu terminava me cobrando e me limitando muito.

O que você está produzindo atualmente?

Acabei de assistir a um corte do Pedro, o filme que estou produzindo sobre D. Pedro I, com a direção da Laís Bodanzky. A gente conta a história da travessia, quando o monarca foi expulso do Brasil e voltou para Portugal. Convidamos o espectador a imaginar essa travessia num momento em que ele estava muito fragilizado mas consegue reconquistar o país com um exército bem menor que o irmão dele, Miguel. D. Pedro tinha 7 mil soldados e Miguel tinha 80 mil e mesmo assim ele conseguiu vencer a guerra. Espero que o olhar feminino da Laís possa modificar a imagem que os brasileiros têm de D. Pedro, sempre retratado de uma forma cômica e caricata.

Atuando como produtor, como você vê os cortes à produção audiovisual no Brasil?

Eu gosto de ser sempre otimista mesmo vivendo em cenários mais sombrios. Eu acho que tudo isso, essa crise, vai nos exigir um nível de criatividade ainda maior e nos levar a usar o que temos de melhor que é a capacidade de improvisação. Gosto de pensar que vamos encontrar uma forma, mais ou menos como os argentinos fizeram durante a crise. Filmes menores, com pequenas locações e orçamentos mais baratos.

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