Cannes: Factory Ceará Brasil, com Karim Aïnouz

Quatro curta-metragens mentorados pelo cineasta brasileiro estreiam na Croisette

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Factory Ceará
1 de 1 Factory Ceará - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Uma das entradas menos badaladas porém mais interessantes para a cinefilia Brasília, neste ano do Festival, é um curioso programa de mentoria chamado Directory´s Factory. A cada edição, um cineasta de renome é convidado para servir na produção de curtas-metragens dirigidos por jovens talentos de seu país natal. Este ano, que também é o ano em que o Brasil carrega o título de “país de honra” das festividades, foi Karim Aïnouz o escolhido. Além de ter longa carreira de exibição em Cannes, o brasileiro é originário do Ceará, lugar nativo dos 4 estreantes. Cada filme é co-dirigido por um brasileiro e outra presença internacional: Wara (Ceará) e Sivan Noam Shimon (Israel), Stella Carneiro (Alagoas) e Ary Zara (Portugal), Luciana Vieira (Ceará) e Marcel Beltrán (Cuba) e Bernardo Ale Abinader (Amazonas) e Sharon Hakim (França). Confira o perfil de cada filme.

A Fera do Mangue, de Wara e Sivan Noam Shimon: Filme mais alegórico do quarteto, conta com um ser misterioso na função de protagonista. A Fera do Mangue é a metáfora realizada da vingança feminina, um ser cuja caracterização é relacionada com as árvores de raízes extensas que florestam a lateral dos rios e igarapés. Uma mulher, vítima de um estupro sangrento, invoca a criatura para ter alguma medida de justiça contra seu algoz.

A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, de Stella Carneiro e Ary Zara: Absorvendo uma estética pop para contar a história de amor entre um vaqueiro–ou uma vaqueira, a depender se a personagem é uma mulher trans, como a atriz que lhe dá vida– e uma bartender. Tudo seria uma maravilha, não fosse o porco do título, neste caso, um homem asqueroso. O filme usa e abusa de toda possibilidade estética para se inserir no imaginário pop que almeja alcançar. Apesar de uma ou outra escolha interessante, o filme não escapa do esperado.

Ponto Cego, de Luciana Vieira e Marcel Beltrán: o mais dramático e mais maduro da série, este filme se baseia no silêncio das vítimas de assédio num estaleiro. É uma estória pequena num lugar de paisagem gigantesca: o porto, as pilhas de containers e o maquinário de que opera lá dentro. Inserida num ambiente masculino, o desconforto da protagonista, uma trabalhadora obrigada a compartilhar o vestiário com os colegas, está sempre presente. O assédio que sofrerá se torna inevitável e inescapável. Sua reação, porém, não o é.

Como Ler o Vento, de Bernardo Ale Abinader e Sharon Hakim: seguindo a indicação do título, este último curta-metragem segue uma linha de busca de ancestralidade e de procura pelas soluções mais espirituais. Uma relação de mestre e aprendiz é o cerne da história em que uma mulher anciã busca passar seu conhecimento de cura para uma mais nova, ambas de ascendência indígena. A prática é concentrada em retirar plástico dos corpos das pessoas, metáfora quase que literal hoje em dia, aonde cientistas conseguem medir o nível de microplásticos presentes em corpos humanos. Mais poético e menos didático, o curta contempla a passagem do tempo e a modernidade.

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