Cannes: “En guerre”, de Stéphane Brizé

Novo filme do diretor francês amplia conflitos para o drama trabalhista coletivo.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
En Guerre
1 de 1 En Guerre - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Apesar dos conflitos entre operários e os donos dos meios de produção durarem séculos, poucas resoluções duram muito tempo. O novo filme de Stéphane Brizé, que já contemplou os temas de desemprego e capitalismo despersonalizado em “La loi du marché“, expande o tema, sem muita sutileza, com um novo trabalho que já tem a palavra “guerra” no título. Talvez nem tanto por coincidência, o desemprego e a diminuição de salários nos países desenvolvidos, após décadas de globalização, ocupará espaço nos telejornais dos próximos anos.

O filme é ancorado, mais uma vez, na performance de Vincent Lindon, desta vez como Laurent Amédéo, um operário de fábrica que é um dos líderes de uma greve no sul da França. Como o filme começa já no meio do embate, vamos descobrindo as poucos que a fábrica automotiva, da companhia Perrin Indústrias, será fechada, pois a administração, localizada na Alemanha, decidiu que ela não consegue ser competitiva. Só que dois anos, os operários da fábrica já tinham combinado um congelamento de salários baseado na promessa de manter a fábrica aberta. Após um aproveitamento da situação fiscal, e de uma grande distribuição de lucros para seus acionistas, a Perrin (empresa fictícia) decidiu quebrar o acordo.

Como o próprio título já indica, este é um filme de conflito. Mas não de uma maneira poética ou existencial. Essa guerra é na trincheira, acompanhando o passo a passo das amarguras que os operários deste filme sofrem. Brizé não está interessado em mediar os dois lados, afinal, na história aqui retratada, só um dos lados tem algo a perder. Os representantes da gerência são meros fantoches corporativos que, decididos pelo fechamento, aguardam convencimento sobre qual benefício financeiro resolverá a situação.

Os mais de 1.100 operários estão sem novas perspectivas de emprego–a única escolha que os resta é lutar. Pelo menos até a companhia propor um pacote de desligamento considerado generoso. É aí que está o embate mais interessante do filme: os operários se dividem sobre qual rumo tomar. Com as semanas de greve passando, sem recursos, a liderança é disputada. Amédéo está preocupado com o longo prazo. Se aceitarem o pacote, ficarão sem nada quando o dinheiro acabar. Mantendo a fábrica aberta, continuam empregados.

A luta ganha projeção nacional e começa a envolver ministros do governo francês, que balanceiam o interesse em manter a França como um bom lugar para empresas estrangeiras investirem e em manterem cidadãos empregados. Mas todas estas forças maiores ficarão bem independentemente do que for decidido. Escolha acertada então focar nos conflitos entre os operários. Quase como um filme procedural, vemos cada passo desta jornada.

“En Guerre” não consegue ser uma obra-prima pelo seu desfecho final, desconcertante porém, no final das contas, mais histérico do que um filme dramático para adultos merece. Não que algo implausível aconteça, apenas a resolução mais “cinemática” possível, e para um filme que se importa com o realismo e com as consequencias reais de tudo que é decidido, a resolução destoa.

Avaliação: Bom (3 estrelas)

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