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Cinema

Cannes: "Close", de Lukas Dhont

Filme interessante perde o rumo de maneira brutal, logo no final da competição em Cannes.

27/05/2022 10:04, atualizado 03/01/2023 17:00
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Festival de Cannes/Divulgação
Cannes: “Close”, de Lukas Dhont

Você se lembra de seu melhor amigo no ensino fundamental? Aquele com quem você fazia tudo, com quem se abraçava, antes de começar a reparar em meninas? Os amigos Rémi e Léo (Gustav De Waele e Eden Dambrine) são inseparáveis. Aos 13 anos, porém, a linha entre crianças e adolescentes começa a se impor, e a facilidade que os dois meninos tem um com o outro começa a ser notada pelos outros colegas. Um dia, uma menina pergunta, possivelmente como zoação: “vocês são um casal?””

É um trampolim perfeito para o diretor belga Lukas Dhont explorar as fronteiras entre inocência e sexualidade, entre amizade e romance, entre cinismo e amizade. Em sua primeira metade, o filme não revela quais as intenções de um menino com o outro, mas o cinismo e as provocações dos colegas rompe a amizade. Léo se incomoda profundamente, e começa a se isolar de Rémi. Tentando adotar comportamentos mais másculos, se junta à equipe de hóquei no gelo da escola. Rémi, sem entender o término da amizade, fica desolado.

Léo e Rémi viviam no Jardim do Eden da infância, brincando e se comportando com alegria, sem considerar as aparências. As mães dos meninos, também próximas, apoiam a amizade e não enxergam nada de errado. Depois que o primeiro colega faz uma piada maléfica, porém, é como se a maçã da sabedoria tivesse sido mordida: o que é visto não pode ser desvisto, pelo menos para Léo.

Deveria ser um filme sobre dois meninos com entendimentos diferentes sobre a situação navegando o começo de uma impiedosa adolescência. Qual o preço de trocar uma amizade pela acomodação de não ser criticado pelos outros? De repente o filme busca responder esta pergunta acima das outras, visto que só um dos meninos fica presente para o resto da história. Ele se torna, portanto um filme mais simples e menos original, cheio de clichês e, francamente, já visto inúmeras vezes.

As atuações são ótimas, a fotografia poética e as emoções convincentes. Uma pena que todos estes atributos tenham desviado o foco do que poderia ser muito mais interessante.

Avaliação: Ruim (1 estrela)