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A cineasta brasiliense Camila Vilalva tinha apenas 3 anos quando saiu do país. O pai, diplomata, foi transferido, em 1996, para um posto em Boston, nos Estados Unidos. Com toda a família, mudou-se também Magnólia, a empregada doméstica que vivia entre eles. A baiana ficou com os patrões no exterior por três anos, e, quando o grupo retornou ao Brasil, ela pediu demissão e nunca mais foi vista pelos empregadores.

Intrigada com a relação entre domésticas e patrões, sobretudo com a dinâmica que se estabelece em outros países, Camila decidiu fazer um filme sobre o assunto. O documentário, batizado The Magnolia Project, está em fase de arrecadação de fundos. A jovem fez um financiamento coletivo para viabilizar o projeto. De US$ 1 a US$ 1 mil, são diferentes opções de contribuição com prêmios cumulativos: do “muito obrigada” nas redes sociais ao crédito de produtor executivo no corte final. A meta é chegar a US$ 15 mil, dos quais a cineasta já conquistou 38%.

A ideia de Camila para o documentário é, em primeiro lugar, achar Magnólia. No caminho, ela espera encontrar histórias parecidas, registrá-las e compreender como essa dinâmica funciona no contexto brasileiro. “A situação padrão do serviço doméstico no Brasil é um assunto interessante e complexo, mas o que realmente me intriga é a maneira como essas novas circunstâncias influenciam as relações entre famílias e empregadas domésticas”, escreveu a jovem.