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Diretor com três filmes densos e dramáticos no currículo — “Um Copo de Cólera” (1999), “As Três Marias” (2002) e “Do Começo ao Fim” (2009) –, Aluizio Abranches surpreendeu ao anunciar sua produção mais recente. “Bem Casados”, em cartaz na cidade desde o último dia 3, é uma leve comédia romântica.

Na trama, Alexandre Borges interpreta um solteirão convicto que ganha a vida filmando casamentos. Ate que conhece a personagem de Camila Morgado, uma mulher desesperada para atrapalhar o casamento do ex-namorado, que a deixou.

A inspiração veio de uma experiência pessoal. Nos anos 1980, Abranches chegou a filmar casamentos. Lembra de ter registrado pelo menos uns 80. Tudo começava com ele recebendo a noiva, sentado atrás de uma mesa, e fazendo a pergunta “como você quer seu casamento?” (esse foi aliás, o primeiro título pensado para o filme).

O negócio não deu certo porque o futuro cineasta era meticuloso demais no acabamento dos vídeos. “Fizemos filmes lindos, mas levávamos um mês para montar. Não ganhei dinheiro à época, mas agora ganhei um filme”, brinca. A ideia foi entregue a Fernando São Thiago, que desenvolveu o roteiro.

Camila Morgado e Alexandre Borges em "Bem Casados" *Divulgação*

Camila Morgado e Alexandre Borges em “Bem Casados” Divulgação

Comédia com marca própria
“Eu pensei em fazer uma coisa diferente. Não queria inventar nada, mas criar algo além do que já existe, colocar ali um pouquinho de minha marca, fazer uma comédia despretensiosa… No bom sentido, porque ninguém faz um filme sem nenhuma pretensão (risos)”, explica o diretor.

Abranches não se alinha com os que vêm a comédia como um gênero menor. “Cresci vendo os europeus — Truffaut, Godard, Fellini… Mas também assisti ‘Um Convidado Bem Trapalhão’ um milhão de vezes. Peter Sellers é um gênio. Há grandes momentos na comédia que não podemos desprezar”.

A impressão causada no público pela sua primeira incursão no gênero Aluizio pôde sentir na pré-estreia no Rio de Janeiro, sua cidade natal. “No fim da projeção, fiquei relaxado porque sentia que as pessoas falavam muito empolgadas. Até os amigos chatos, aqueles que falam a verdade, diziam ‘é muito leve, muito gostosa’. Percebi que queria fazer algo diferente, mas consegui algo que não sabia o que era, porque não eram os adjetivos que estava esperando. Mas entendia que não era demérito, que o filme era, mas não bobo”.

Parceria com Alexandre Borges
Aluizio Abranches também atribui o bom resultado à parceria com Alexandre Borges — com quem havia trabalhado em “Um Copo de Cólera” e, em um papel menor, em “As Três Marias”. “É importante você ter um ator que seja bom, carismático. Fiz uma pesquisa informal e descobri que a popularidade do Alexandre é lá em cima. Tudo isso colabora”.

Sentindo-se recompensado pelos elogios no saguão do cinema, após a pré-estreia, o diretor agora espera outra recompensa: “Eu quero público” (risos). Tudo indica que seu desejo será atendido. No fim de semana de estreia, “Bem Casados” foi o terceiro mais visto nos cinemas brasileiros, com 2.062.665 espectadores.

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